O sentimento de “não dar conta” atravessa a experiência materna com mais frequência do que se admite. Ele costuma aparecer quando a mulher se vê tentando equilibrar múltiplas demandas, trabalho, casa, filhos, relações, em contextos que nem sempre são acolhedores ou flexíveis. A romantização da maternidade reforça a ideia de que tudo deveria ser vívido com leveza e plenitude, apagando o cansaço, as ambivalências e o turbilhão de emoções que fazem parte da vida real. Nesse cenário, a cobrança interna cresce, e a sensação de isenção passa a ocupar um espaço que não deveria ser naturalizado.
A psicologia contemporânea, de autores como Donald Winnicott , propõe um olhar mais possível sobre o cuidado: não é a perfeição que sustenta o desenvolvimento emocional de uma criança, mas a presença consistente de uma mãe “suficientemente boa”. A busca constante por acertar tudo pode se transformar em uma armadilha que alimenta culpa, sobrecarga e exaustão, muitas vezes levando ao esgotamento materno. A chamada “maternidade ideal”, construída socialmente, entra em conflito com a maternidade real, feita de escolhas difíceis, limites e aprendizados contínuos. E é importante lembrar: a culpa não educa, não fortalece vínculos e não torna ninguém uma mãe melhor.
Esse olhar também precisa incluir as diferentes formas de maternar. Mães que trabalham fora de confrontos externos intensos; mães que permanecem em casa, por sua vez, lidam com invisibilização e julgamentos silenciosos, e não são menos por isso. Em ambos os casos, há desafios legítimos que atravessam a subjetividade de cada mulher. Cuidar de um filho exige presença, mas também exige que essa mãe exista para além dessa função. Abrir espaço para pausas, respeitar limites e abandonar a ideia de dar conta de tudo que não é falha: é um movimento necessário para sustentar uma maternidade mais saudável, possível e humana.
Desejo um Feliz Dia das Mães – sem culpa e mais presença!
Sou Joana Santiago – Psicóloga

