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Quando Marta disse que não teve uma ídola para se inspirar, ela revelou algo muito maior do que uma história sobre futebol. Ela falou sobre pertencimento.

Durante a Copa do Mundo Feminina de 2023, uma fala emocionada de Marta chamou a atenção de milhões de pessoas. Ao refletir sobre sua trajetória, ela afirmou que não teve uma ídola no futebol feminino durante sua infância.

A declaração parece simples, mas carrega uma reflexão profunda sobre identidade, pertencimento e desenvolvimento emocional. Mais do que falar sobre futebol, Marta falou sobre uma necessidade humana fundamental: a necessidade de nos reconhecermos em alguém.

A importância de se sentir representado

Quando uma criança encontra uma referência positiva, ela passa a enxergar novas possibilidades para si mesma. Não se trata apenas de admiração, existe uma mensagem silenciosa que diz: “Se alguém como eu conseguiu, talvez eu também possa.”

A Psicologia compreende que nossa identidade é construída por meio das relações que estabelecemos ao longo da vida. Observamos pessoas importantes, absorvemos valores, aprendemos comportamentos e criamos uma percepção sobre quem somos. As referências exercem um papel essencial nesse processo.

O pertencimento e a Teoria da Identidade Social

A Teoria da Identidade Social, desenvolvida pelos psicólogos Henri Tajfel e John Turner, explica que parte da nossa identidade é formada pelos grupos aos quais pertencemos, família, escola, amigos, equipes esportivas e comunidades contribuem para a construção da nossa visão de mundo e de nós mesmos. Quando nos sentimos parte de um grupo, experimentamos maior segurança emocional, conexão e autoestima.

É exatamente esse fenômeno que vemos nas torcidas esportivas, pessoas desconhecidas se unem, compartilham emoções e criam um forte senso de comunidade porque se identificam com um objetivo comum. Mas esse mesmo processo também acontece dentro das famílias.

A família como primeiro lugar de pertencimento

Antes de encontrar ídolos, colegas ou grupos sociais, a criança encontra sua família. É nesse ambiente que ela aprende se suas emoções são aceitas, se sua opinião importa e se existe espaço para ser quem realmente é.
Quando há acolhimento, escuta e validação emocional, a criança desenvolve um senso de pertencimento saudável, ela aprende que tem valor, que é importante, que possui um lugar seguro para retornar quando enfrenta dificuldades. Por outro lado, quando predominam críticas constantes, rejeição emocional ou falta de conexão, esse sentimento pode ser fragilizado, impactando a autoestima e os relacionamentos futuros.

As referências que construímos dentro de casa

Muitas vezes associamos inspiração a grandes personalidades, atletas ou artistas. No entanto, as referências mais importantes costumam surgir nas experiências cotidianas. Pais, mães, avós e cuidadores ensinam sobre amor, respeito, empatia e resolução de conflitos por meio de suas atitudes diárias. As crianças observam muito mais do que escutam, por isso, os exemplos vividos dentro de casa têm um impacto profundo na formação da identidade.

O legado que permanece

Hoje, Marta representa para milhares de meninas aquilo que ela mesma não teve quando era criança: uma referência.

Sua história nos lembra que o sentimento de pertencimento transforma vidas. E nos convida a refletir sobre o papel das relações familiares nesse processo.
Afinal, antes de acreditar que podemos ocupar qualquer espaço no mundo, precisamos sentir que temos um lugar onde somos amados, aceitos e valorizados.
É nesse ambiente que a identidade floresce e a confiança se fortalece.
Porque antes de acreditar que podemos conquistar o mundo, precisamos acreditar que temos um lugar ao qual pertencemos.

Você já parou para pensar nas referências que está construindo dentro da sua família?

Sou Joana Santiago – Psicóloga

O espaço terapêutico precisa ser agradável e acolhedor, transmitindo uma sensação agradável às pessoas que estão no local.


O intuito da terapia é tratar problemas emocionais, comportamentais e psicológicos. No tratamento, o psicólogo ajuda o paciente a refletir sobre seus problemas, encontrando novos meios de lidar com eles. Com isso, o indivíduo pode promover mudanças profundas no seu modo de pensar, e melhorar sua vida significativamente.

Para que uma relação terapêutica seja satisfatória, o profissional deve adotar uma imagem não-punitiva e  aceitar as individualidades de cada paciente. Isso porque quem busca a terapia normalmente está sofrendo por algum motivo, e muito possivelmente está recebendo algum tipo de punição em algum contexto da sua vida.

A aceitação incondicional por parte do terapeuta mostra ao paciente que ele pode ser ele mesmo, falar o que precisa sem ser punido. Isso resulta em uma relação de confiança, e faz com que cada vez mais os comportamentos punidos apareçam.

A proximidade da relação terapêutica possui vários propósitos: Proporciona um local seguro para os pacientes relevarem a si mesmos, oferecendo-lhes a experiência de serem aceitos e compreendidos após uma profunda exposição, ensina aptidões sociais e por fim ensina que a intimidade é possivelmente alcançável. Uma vez atingido esse objetivo, podem-se construir relacionamentos semelhantes fora da terapia.

A importância da relação terapêutica na prática clínica:

. Promove autoconhecimento

Um dos benefícios da terapia é dar ao paciente a capacidade de compreender melhor a si mesmo, bem como seus valores e objetivos pessoais. A terapia permite que o indivíduo possa dominar e administrar melhor os seus sentimentos.

No tratamento terapêutico, o autoconhecimento é estimulado na identificação de falhas contínuas na vida da pessoa. Desse modo, ela fica mais preparada para lidar com ideias negativas e emoções adversas. O autoconhecimento ainda promove o fortalecimento da autoestima.

. Ajuda a encontrar motivação

A motivação funciona como um impulso para atingir uma finalidade. Parte sempre de dentro da pessoa e, sem ela, torna-se extremamente difícil conquistar um objetivo pessoal ou profissional. A falta de motivação pode estar relacionada à depressão, dentre outros problemas.

O suporte profissional em uma terapia ajuda a levar à tona o que origina a falta de motivação do paciente. Uma pessoa desmotivada tem problemas recorrentes na sua vida pessoal e profissional, já que se sente inibida a executar certas ações. Por meio de tratamento, pode-se ajudar o paciente a impulsionar seus próprios motivos.

. Melhora os relacionamentos interpessoais

Para ter uma vida plena e satisfatória é muito importante saber se relacionar bem com o próximo. As relações interpessoais fazem parte do cotidiano do ser humano e podem ser observadas em interações do dia a dia, como as estabelecidas no ambiente de trabalho com colegas, em casa com a família ou no contato com amigos.

A terapia promove o desenvolvimento de habilidades sociais com o intuito de melhorar os relacionamentos interpessoais. O tratamento é útil para os que têm dificuldades em se relacionar com outras pessoas, o que consequentemente evita o isolamento social.


Sou Joana Santiago – Psicóloga