O quarto branco confunde sentidos e anula percepção da passagem de tempo, causando estresse e ansiedade nos participantes.

O quarto branco do BBB 26 chegou ao fim na madruga de domingo (18/01) e bateu recorde, quando superou a marca de 120 horas de confinamento e se tornou o mais longo da história do reality show.
O programa não apenas expõe conflitos entre participantes, mas escancara algo que atravessa a nossa cultura: a dificuldade coletiva de reconhecer violências quando elas são apresentadas como superação, desafio ou prova de resistência.

O retorno do chamado Quarto Branco reacende esse debate. Trata-se de um ambiente sem conforto, com luz branca constante, ausência de referências temporais, frio, alimentação restrita, ruídos perturbadores e isolamento. Do ponto de vista psicológico, esse tipo de contexto interfere diretamente na regulação emocional. O cérebro humano precisa de estímulos externos para se organizar. Quando eles são retirados, o sistema nervoso entra em estado de alerta contínuo.

Nessas condições, é comum observar aumento da ansiedade, irritabilidade, confusão mental, intensificação das emoções e sensação de perda de controle. Pequenos estímulos passam a ser vivenciados como grandes ameaças. O silêncio pesa. O tempo parece não passar. O corpo entra em exaustão.

É preciso reconhecer que há uma banalização perigosa da violência psicológica quando ela é apresentada de forma lucrativa, transmitida ao vivo e amplamente patrocinada. Nessas circunstâncias, o sofrimento é ressignificado como prova de resistência. A privação é romantizada. E, muitas vezes, a ausência real de possibilidades de escolha é travestida de mérito.

O mesmo programa que, corretamente, afirma não compactuar com violências físicas ou sexuais, acaba produzindo sofrimento emocional como entretenimento. A dor é narrada como desafio. O ambiente hostil é apresentado como teste de força. Quem suporta mais é celebrado como “guerreiro”.

Mas sofrimento não é virtude.

No Quarto Branco, não há inimigos externos. O “inimigo” passa a ser o próprio corpo: um sistema nervoso sobrecarregado, pensamentos desorganizados, fome, exaustão física e emocional. Não se trata de heroísmo, mas de submissão em troca de pertencimento e da chance de seguir no jogo.
A produção costuma destacar o acompanhamento médico dos participantes. Ainda assim, é fundamental lembrar que saúde, segundo a Organização Mundial da Saúde, não é apenas ausência de doença, mas um estado de completo bem-estar físico, mental e social. E ninguém submetido a essas condições está em bem-estar. Há privação de sono, prejuízo cognitivo, desorganização emocional e um corpo mantido em alerta constante.
Quando o sofrimento é normalizado e embalado como entretenimento, algo se comunica socialmente. Aprende-se que ultrapassar limites é desejável. Que suportar a dor em silêncio é sinal de força. Que reconhecer o próprio limite é fraqueza. E isso tem efeitos que vão muito além de um programa de televisão.

Como psicóloga, acredito que é meu papel contribuir para que essas discussões sejam feitas com responsabilidade. Não se trata de demonizar o entretenimento, nem de apontar culpados individuais, mas de questionar narrativas que banalizam a violência psicológica e a apresentam como espetáculo.

Precisamos, enquanto sociedade, rever quais valores estamos reforçando quando celebramos a exaustão, a privação e o sofrimento como mérito. Saúde mental também é reconhecer limites. Também é dizer que não. Também é compreender que o cuidado não é incompatível com desafio, e que nenhuma experiência de dor deve ser romantizada.

Falar sobre isso é um ato de cuidado coletivo.

Sou Joana Santiago – Psicóloga

Nem tudo precisa ser resolvido antes que o ano termine. Algumas coisas pedem tempo, outras pedem um novo olhar — e algumas só pedem que a gente seja mais gentil consigo mesmo.

O fim do ano costuma nos empurrar para listas, balanços e cobranças. Parece que tudo precisa ser resolvido antes que o calendário vire. Mas hoje eu quero te lembrar de algo importante: nem tudo precisa ser resolvido agora.

Algumas situações só pedem um novo olhar. Outras precisam de tempo para amadurecer. E existem aquelas que não exigem respostas, apenas um gesto de perdão — especialmente o perdão a si mesmo.

Se o seu ano foi pesado, respire. O cansaço emocional não é sinal de fraqueza, é sinal de que você sentiu, tentou e seguiu em frente da melhor forma que pôde. Fechar o ano emocionalmente não é apagar o que doeu, é reconhecer o que foi possível sustentar.

Você não precisa entrar no próximo ano forte, cheio de certezas ou com tudo organizado. Você só precisa entrar sendo verdadeiro com você. A verdade abre espaço para o cuidado. E o cuidado cria caminhos para recomeços mais leves.

Que 2026 te encontre mais conectado com quem você é — e menos exigente com quem você acha que precisa ser.

Desejo que o próximo ano seja um espaço seguro para o seu crescimento emocional, com pausas quando necessário, coragem quando possível e cuidado sempre.

Um Ano Novo de mais verdade, mais equilíbrio e mais gentileza com você.

Sou Joana Santiago – Psicóloga

Feminicídio não é um acontecimento isolado. É resultado de uma cultura que normaliza o controle, valida o ciúme, romantiza a posse e silencia pedidos de ajuda.

Falar sobre feminicídio não é apenas falar de estatísticas.
É falar de histórias interrompidas, de vidas que não deveriam ter sido perdidas e de uma cultura que, muitas vezes, sustenta a violência sem perceber.

Como psicóloga, vejo o impacto emocional dessa realidade na vida de tantas mulheres.
Mas hoje, mais do que acolher essa dor, preciso fazer um convite importante — especialmente aos homens.
Por isso, quando falamos de prevenção, não estamos falando apenas de leis ou números: estamos falando de consciência social.

Muitos acreditam que feminicídio é um episódio extremo e distante. Mas a verdade é que ele começa muito antes: no silêncio diante de uma piada machista, na minimização de um comportamento abusivo, na crença de que “não é problema meu”, na falta de intervenção quando um amigo passa dos limites, na normalização do controle e do ciúme como prova de amor.

A violência que tira vidas é construída por comportamentos que passam despercebidos todos os dias.

E é por isso que vocês, homens, têm um papel essencial. Não como culpados individuais, mas como agentes de transformação dentro dos espaços onde outros homens escutam vocês.

Educar outros homens é um ato de coragem. Interromper piadas, questionar atitudes, acolher mulheres que pedem ajuda, observar sinais de abuso, orientar filhos e adolescentes — tudo isso salva vidas.

Quando vocês se posicionam, a cultura muda.
Quando vocês escutam, a consciência se amplia.
Quando vocês se responsabilizam, a violência perde força.

Porque o silêncio também destrói. E a responsabilidade de construir um mundo mais seguro para as mulheres não é somente delas — é, profundamente, de vocês também, em nome de suas mulheres e de todas!

Se você é homem, reflita sobre o que reproduz, sobre o que ignora, sobre o que permite e sobre o que pode transformar. As mudanças começam em gestos simples, mas consistentes.

E para as mulheres que vivem essa dor ou o medo de chegar a ela, eu quero dizer: você não precisa enfrentar isso sozinha. Procure ajuda. Fale.

Você tem o direito de viver uma vida tranquila, respeitada e segura. Existe ajuda, existe acolhimento e existe caminho.
Eu sigo aqui, com escuta, respeito e responsabilidade.

Sou Joana Santiago – Psicóloga

Um olhar da psicologia para igualdade e reconhecimento da dor histórica

Consciência é sobre presença: eu vejo você, eu escuto você, eu reconheço sua história.

Quando falo sobre consciência, não estou falando apenas de datas comemorativas ou de marcos no calendário. Falo de algo que atravessa nossa forma de viver, de enxergar o mundo e, principalmente, de enxergar o outro.
Como psicóloga, aprendi que consciência é, antes de tudo, escuta — uma escuta que não julga, não apaga e não minimiza a dor de ninguém.

Vivemos em um país onde a população negra carrega uma história marcada por desigualdades, violências e silenciamentos que ainda reverberam no presente. E, quando essas marcas chegam ao consultório, elas não vêm sozinhas: vêm acompanhadas de experiências de exclusão, falta de oportunidades, inseguranças e feridas emocionais que foram profundas demais para cicatrizarem sem cuidado.

Reconhecer essa dor histórica não é sobre culpar indivíduos, mas sobre compreender contextos.
Não é sobre dividir, é sobre humanizar.
E é justamente aí que a psicologia entra como uma ponte.

A psicologia como espaço de acolhimento e dignidade

No processo terapêutico, eu acolho histórias que o mundo muitas vezes insiste em ignorar. Acolho vivências que pedem respeito, validação e segurança. E sei que isso não é neutro; é um posicionamento ético.

Porque falar sobre igualdade não é tratar todo mundo igual.
É compreender que existem trajetórias mais pesadas, caminhos mais longos e barreiras que muitos ainda não reconhecem — justamente porque nunca precisaram enfrentá-las.

Na prática clínica, vejo como a escuta verdadeira pode transformar a forma como uma pessoa se percebe no mundo, e como o reconhecimento da própria narrativa pode trazer de volta algo essencial: a dignidade de existir.

Consciência também é ação

Falar sobre Consciência Negra no contexto da psicologia é assumir que o cuidado emocional precisa considerar raça, história e realidade social.
É entender que não existe saúde mental plena sem enfrentar desigualdades.
É abrir espaço para conversas que, por muito tempo, foram evitadas.

E, quando escolhemos olhar para essas questões com responsabilidade e humanidade, damos um passo importante na construção de um mundo mais justo — dentro e fora do consultório.

O que eu acredito

Acredito na força da empatia, mas não daquela empatia distante e confortável.
Acredito na empatia que nos move, nos ensina e nos faz questionar privilégios, discursos e atitudes.
Acredito no diálogo, na escuta e no reconhecimento.
Acredito que, quando me permito ver o outro em sua profundidade, algo se transforma, em mim e nele.

Porque psicologia também é isso: ver, escutar e acolher para que histórias possam ser reconstruídas com mais respeito, mais verdade e mais consciência.

Que a Consciência Negra nos lembre, todos os dias, da importância de escutar, respeitar e reconhecer histórias que precisam ser vistas com humanidade. Que a gente siga aprendendo, acolhendo e caminhando com mais consciência e empatia.

Sou Joana Santiago Psicóloga

Cada passo emocional é uma conquista — e reconhecer isso é parte do processo de cura.

Às vezes, nos cobramos tanto para “chegar lá” que esquecemos de olhar para os passos que já demos. Cada gesto, por menor que pareça, carrega aprendizado, crescimento e cuidado consigo mesma. Reconhecer essas pequenas vitórias é uma maneira de fortalecer a autoestima e tornar a jornada mais leve e significativa.

Nem sempre o crescimento emocional acontece em grandes saltos. Ele se revela nas pequenas mudanças do cotidiano: respirar antes de reagir, dizer “não” sem culpa, ou se permitir descansar sem sentir que está falhando. Celebrar essas vitórias é entender que amadurecer emocionalmente não é sobre ser perfeito, mas sobre se tornar mais consciente, gentil e verdadeiro consigo mesma.

Por muito tempo, fomos ensinadas a olhar apenas para resultados: a nota mais alta, o corpo ideal, a promoção no trabalho. Mas o que sustenta o crescimento real é o processo — o esforço silencioso de continuar tentando mesmo quando ninguém está vendo.

Eu acredito que a autocompaixão nasce desse olhar. Quando reconhecemos as pequenas conquistas, abrimos espaço para gratidão, leveza e amor próprio.

  • Conseguir dizer “não” sem se sentir culpada.
  • Fazer uma pausa em um dia cheio, apenas para respirar.
  • Pedir ajuda quando antes você se calava.
  • Dormir melhor porque aprendeu a se desligar do que não controla.
  • Escolher se acolher em vez de se criticar.

Esses pequenos gestos emocionais constroem algo muito maior: autonomia, consciência e amor-próprio.

Como reconhecer e celebrar suas pequenas vitórias

Reconhecer o próprio progresso é um exercício de presença. Escrever sobre o que já conquistou, celebrar com algo simples, dividir alegrias com pessoas próximas ou apenas observar como você lida melhor com situações que antes te afetavam, tudo isso ajuda a perceber que há crescimento acontecendo.

Esses momentos de consciência são o que alimentam uma mentalidade de crescimento: a compreensão de que mudar é possível quando há paciência, persistência e gentileza consigo.

Por que celebrar o progresso é tão importante?

Reconhecer as pequenas vitórias não é sobre conformismo, e sim sobre respeitar o processo.
Cada passo dado, mesmo que lento, ativa a sensação de satisfação e estimula a liberação de dopamina, o chamado hormônio do bem-estar.
Isso cria um ciclo positivo: quanto mais você reconhece seu avanço, mais motivada se sente para continuar.

Além disso, celebrar o progresso ajuda a:

  • Reduzir a autocobrança e o perfeccionismo.
  • Reforçar a autoconfiança e a motivação.
  • Tornar o caminho mais prazeroso e possível.
  • Criar uma relação mais leve com suas próprias metas.

Celebrar pequenas vitórias é um exercício de presença. É uma forma de lembrar que, mesmo entre altos e baixos, seguimos construindo uma versão mais inteira de nós mesmas, com coragem, gentileza e verdade.

Se você quiser, pode começar hoje: perceba uma pequena conquista e reconheça o quanto ela é importante. Cada passo dado é um motivo para celebrar.

A terapia pode ser um espaço seguro para enxergar e celebrar essas conquistas, aprendendo a respeitar o seu tempo, acolher as pausas e valorizar o que já floresceu em você.

Sou Joana Santiago – Psicóloga

A forma como nos percebemos não nasce sozinha. Ela é moldada por diversos fatores externos, sem que a gente perceba.

Muitas vezes, usamos as duas expressões como se fossem sinônimos, mas há uma diferença importante entre elas.

A autoestima diz respeito ao valor que damos a nós mesmas como um todo — o quanto acreditamos no nosso merecimento, nas nossas capacidades e no nosso valor pessoal.
Já a imagem corporal é a maneira como percebemos, sentimos e pensamos sobre o nosso corpo — o quanto estamos (ou não) em paz com ele.

Quando a imagem corporal é distorcida, ela pode abalar a autoestima.
E quando a autoestima está fragilizada, o olhar sobre o corpo tende a se tornar mais duro e crítico.
Por isso, uma alimenta a outra — e ambas florescem quando aprendemos a nos olhar com gentileza.

“A imagem corporal é o espelho.
A autoestima é o olhar que você escolhe ter diante dele

O que influencia nossa imagem corporal

A forma como nos percebemos não nasce sozinha. Ela é moldada por diversos fatores externos — e, muitas vezes, sem que a gente perceba:

  • Internet e redes sociais: filtros, ângulos e comparações constantes criam um padrão inalcançável, onde o “comum” parece nunca ser suficiente.
  • Mídia e publicidade: desde cedo, somos expostas a corpos idealizados que associam beleza a valor, sucesso e aceitação.
  • Comunidades esportivas e de performance: em alguns espaços, o corpo vira troféu, e a busca por desempenho pode se transformar em autocrítica.
  • Consumo e indústria estética: o mercado do “autoaperfeiçoamento” reforça a ideia de que sempre falta algo — um novo produto, dieta ou procedimento — para, enfim, nos sentirmos bem.

Esses fatores criam armadilhas sutis, gatilhos que alimentam a insatisfação e o sentimento de inadequação.
Reconhecer isso é o primeiro passo para sair desse ciclo.

Como não cair nessas armadilhas

O caminho é de consciência e reconexão.
Não se trata de negar a importância do cuidado com a aparência, mas de entender que o autocuidado verdadeiro vem acompanhado de respeito e presença — não de culpa.

Reveja o que consome: siga pessoas reais, que compartilhem autenticidade e diversidade.
Questione padrões: nem tudo o que é mostrado como ideal é saudável, possível ou verdadeiro.
Escute o corpo: pergunte-se o que ele precisa hoje — pausa, descanso, movimento?
Fale consigo com ternura: troque a crítica por acolhimento. “O que estou sentindo?” em vez de “por que ainda não mudei?”.

O olhar gentil não é algo que nasce de um dia para o outro.
Ele é cultivado — como quem rega uma planta todos os dias até vê-la florescer.
E quando floresce, muda tudo: o corpo deixa de ser inimigo e volta a ser casa.
Uma casa onde é possível viver com leveza, imperfeição e verdade.

Olhar-se com gentileza é um ato de coragem.
É escolher ser sua própria aliada — não sua maior crítica.

Sou Joana Santiago | Psicóloga

Cada encontro nosso é um lembrete do porquê escolhi ser psicóloga: acreditar no poder da escuta, no acolhimento e no cuidado contínuo da saúde mental.

Ser psicóloga é um dos maiores privilégios da minha vida. Escolhi essa profissão porque acredito profundamente que cada pessoa merece um espaço para ser ouvida com respeito, carinho e atenção verdadeira. Cada encontro no consultório me lembra do porquê eu amo o que faço: ver alguém se fortalecer, reencontrar a si mesmo e descobrir novas formas de viver com mais leveza.

A saúde mental não pode ser lembrada apenas em um mês do ano. Ela precisa ser cultivada diariamente, no autocuidado, no descanso, no silêncio, na pausa. Prevenir é cuidar de si antes que a dor se torne insuportável. E a terapia é esse espaço de prevenção e acolhimento, onde podemos olhar para nossas emoções com mais gentileza.

Para mim, a psicoterapia não é apenas para os momentos de crise. Ela é como regar uma planta: um cuidado constante que nos ajuda a florescer. A cada sessão, vejo a beleza de quem se permite esse olhar para dentro, e isso me enche de propósito e gratidão.

Ser psicóloga é caminhar junto, oferecer escuta e acreditar na capacidade de cada pessoa de se transformar. E é por isso que sempre digo: cuidar de si é o maior ato de amor próprio que você pode praticar.

Sou Joana Santiago – Psicóloga

Escutar, acolher e validar as emoções dos nossos filhos é um ato de amor que constrói segurança emocional e previne sofrimentos silenciosos.

O Setembro Amarelo é um convite para olharmos com mais cuidado para a saúde mental em todas as fases da vida — inclusive na infância. Muitas vezes, acreditamos que crianças não sofrem de maneira profunda ou que suas dores “passam rápido”. Mas a verdade é que o comportamento e o aprendizado infantil estão diretamente ligados às emoções. Alegria e segurança favorecem atitudes positivas, enquanto frustração, ansiedade e medo, quando não compreendidos, podem gerar isolamento, agressividade ou queda no desempenho escolar.

Crianças emocionalmente seguras exploram mais o ambiente, se relacionam melhor e demonstram maior curiosidade pelo aprendizado. Já a frustração e a raiva, quando não acolhidas, podem se manifestar em birras ou dificuldades de convivência. Ansiedade e medo prejudicam a concentração, a adaptação escolar e até a autoestima. Por isso, é fundamental que pais estejam atentos às reações emocionais dos filhos, ajudando-os a dar nome ao que sentem e oferecendo apoio para que aprendam a lidar com seus desafios de forma mais equilibrada.

O papel da família nesse processo é insubstituível. Acolher, escutar e validar são gestos que transmitem à criança a mensagem de que suas emoções importam e que ela não está sozinha. Brincadeiras, desenhos e conversas abertas podem ser caminhos para que expressem seus sentimentos de maneira saudável. Rotinas seguras e previsíveis também ajudam a reduzir a ansiedade, proporcionando uma sensação de estabilidade. Mais do que resolver os problemas, estar presente e disponível para ouvir já é uma forma poderosa de proteção emocional.

A escola, claro, também tem grande importância nesse percurso. Professores, quando atentos, podem ajudar a traduzir emoções e incentivar a convivência saudável entre os colegas. Porém, é no lar que a criança encontra seu primeiro e mais forte modelo: os pais. Eles são o espelho do manejo emocional — quando mostram que sabem lidar com suas próprias frustrações e medos, ensinam, pelo exemplo, que sentir é natural e que pedir ajuda é um ato de coragem.

Vale lembrar: nem sempre dificuldades emocionais desaparecem sozinhas. Mudanças repentinas de comportamento, isolamento frequente, medos excessivos ou queda brusca no desempenho escolar podem ser sinais de alerta para procurar ajuda profissional. Identificar cedo esses sinais faz toda a diferença no desenvolvimento emocional e na prevenção do sofrimento.

Neste Setembro Amarelo, o convite é simples e profundo: fortalecer os vínculos dentro de casa. Conversar, acolher e validar emoções são atitudes que constroem segurança emocional e mostram às crianças e adolescentes que não precisam enfrentar a dor sozinhos. Cuidar das emoções é um ato de amor — e pode salvar vidas.

Sou Joana Santiago Psicóloga

Quero abrir essa conversa: você já pensou sobre a menopausa de verdade?

Por muito tempo, falar sobre menopausa era quase um tabu. Talvez porque nossas avós e bisavós não chegassem a viver tanto — e quando chegavam, pouco se falava sobre o que sentiam. Mas hoje, com a expectativa de vida maior e as mulheres aos 50 anos ativas, produtivas e cheias de vida, esse tema deixou de ser “coisa de idade” e passou a ser um capítulo importante do autocuidado feminino.

Tecnicamente, a menopausa é marcada por 12 meses sem menstruar, mas antes dela existe a perimenopausa, e é aí que muitos sintomas começam a aparecer, às vezes sem que a gente entenda de imediato o que está acontecendo.

E os sintomas vão muito além dos famosos “fogachos”. A ciência já identificou mais de 70 sintomas possíveis: dormência, tontura, cansaço, perda de cabelo, esquecimentos, irritabilidade, insônia, ansiedade, até depressão. Tudo isso acontece porque, com a perda da função dos ovários, os níveis de estrogênio, progesterona e testosterona caem, e essa flutuação hormonal bagunça o corpo e a mente.

A Dra. Olivieri (@dra.olivieri) médica especialista, sempre reforça a importância de não ignorar esses sinais em suas edes sociais:

Muitas mulheres deixam de se movimentar, negligenciam os exames e demoram a buscar ajuda, quando a reposição hormonal e o acompanhamento correto poderiam devolver qualidade de vida”.

Dra. Dra. Juliana Olivieri – Ginecologia Endócrina

A boa notícia é que hoje sabemos muito mais. A psicologia ajuda a compreender essas mudanças, acolher as emoções, fortalecer a autoestima e cuidar da saúde mental nesse processo. E, junto ao acompanhamento médico, a reposição hormonal pode ser uma aliada importante em muitos casos.

E os parceiros? Eles também têm um papel fundamental: entender, acolher e caminhar junto. Esse é um momento que pede diálogo, paciência e parceria.

Eu gosto de olhar para a menopausa não como o fim de uma fase, mas como o começo de uma versão mais consciente e dona de si mesma. É um convite para se reconectar com o corpo, com as emoções e com a vida que segue pulsando — porque ela continua, linda e cheia de possibilidades.

E você, já conversou abertamente sobre isso com alguém?

Sou Joana Santiago – Psicóloga

Relacionar-se com uma IA pode parecer uma curiosidade moderna ou um passatempo inofensivo.

Vivemos em um tempo em que a tecnologia não apenas nos cerca, ela participa ativamente da nossa vida emocional. As inteligências artificiais deixaram de ser apenas ferramentas e passaram a ocupar espaços subjetivos nas relações humanas. Hoje, não é incomum encontrar pessoas que desenvolvem vínculos afetivos, inclusive amorosos, com inteligências artificiais.

Mas o que está por trás disso?

Relacionar-se com uma IA pode parecer, à primeira vista, uma curiosidade moderna ou um passatempo inofensivo. Mas para muitas pessoas, vai além disso. São laços que envolvem cuidado, escuta, reciprocidade (ainda que simulada) e um sentimento profundo de companhia. A IA passa a ter um nome, uma “voz” favorita, um papel diário na rotina emocional de alguém.

Vale lembrar que, muito antes do surgimento dessas relações com IAs, os relacionamentos virtuais com pessoas reais já vinham se consolidando em diferentes plataformas. Namoros que nascem em aplicativos, vínculos mantidos à distância, conexões construídas por mensagens, chamadas de vídeo e redes sociais.

Essas relações, ainda que à distância, envolvem alteridade: existe um outro real do outro lado da tela. Um outro com vontades, contradições, histórias próprias. E, com isso, surgem também as complexidades do afeto: o medo de não ser correspondido, os desencontros, as frustrações e os encontros genuínos.

É importante destacar que esses relacionamentos podem dar certo, sim. Muitos deles amadurecem, se transformam em encontros presenciais e, inclusive, terminam em casamentos e histórias duradouras. Porém, também podem trazer riscos – especialmente quando não há um olhar atento à própria segurança física e psicológica.

É possível se envolver emocionalmente com alguém que você nunca viu. É possível também se frustrar, ser enganado ou se sentir exposto emocionalmente em vínculos virtuais. Por isso, é fundamental adotar alguns cuidados antes de se envolver profundamente em um relacionamento online.

Cuidados importantes ao iniciar um relacionamento virtual:
– Vá com calma: vínculos profundos precisam de tempo para se construir.
– Proteja sua privacidade: evite compartilhar dados pessoais com rapidez.
– Observe comportamentos: contradições, promessas exageradas ou pedidos suspeitos podem ser sinais de alerta.
– Escute seu corpo e suas emoções: se algo causa desconforto ou ansiedade constante, vale a pena refletir.
– Fale sobre o que está vivendo: dividir com pessoas de confiança ou buscar ajuda profissional pode trazer clareza.

Já os vínculos com inteligências artificiais seguem por outro caminho. Eles oferecem uma experiência emocional sem atrito. A IA responde sempre. Nunca rejeita. Se adapta ao desejo. Está disponível 24 horas por dia. Essa previsibilidade pode ser extremamente sedutora, especialmente para quem já viveu relações difíceis, marcadas por abandono, críticas ou instabilidade.

A psicologia não se ocupa em classificar essas escolhas como certas ou erradas. Ela propõe perguntas. Escuta. Acolhe. Porque cada escolha afetiva fala — mesmo que em silêncio — sobre aquilo que nos falta, aquilo que nos feriu e aquilo que ainda desejamos encontrar.

Seja em um namoro à distância com alguém real ou em uma troca constante com uma IA personalizada, estamos diante de formas novas (e complexas) de amar, de buscar pertencimento e de tentar suprir a solidão que nem sempre conseguimos nomear.

No consultório, criamos espaço para compreender essas relações sem julgamento.
Porque no fim das contas, mais importante do que discutir o que é real ou virtual…
É entender o que é vivido como verdadeiro.

Sou Joana Santiago Psicologa