Marque esse um ano de pandemia tomando medidas para gerenciar melhor seu bem-estar mental e emocional. Veja como fazer.

Se passou um ano desde quando tivemos que lidar com os primeiros casos de covid. Se antes a doença parecia distante de você, hoje, infelizmente, todos nós conhecemos alguém que morreu ou que perdeu alguém pelo coronavírus. Por isso, é natural que se até 2020 você tenha conseguido “segurar as pontas” de todos os sentimentos que a pandemia desencadeou, talvez agora esteja mais difícil lidar com a rotina que antes você tinha se adaptado bem.

No entanto, a saúde mental das pessoas foi muito afetada. No ano passado, quase todos os pacientes falaram sobre o estresse e a ansiedade que surgiram com as primeiras ondas de bloqueio.

Algumas pessoas estavam preocupadas com o impacto emocional que a perda de entes queridos teria sobre si e sobre seus amigos e vizinhos. Muitos acharam difícil lidar com a dor e o isolamento, e outros acharam difícil lidar com a perda de emprego e a insegurança financeira.

Infelizmente, nosso país está em uma fase crítica de disseminação do vírus, dessa forma, não é interessante tentar negar ou fugir da realidade em que vivemos. Mesmo antes da pandemia, o ser humano sempre teve dificuldade de lidar com o real, principalmente em comparação com as fantasias que ele cria e que acaba se frustrando ao perceber a discrepância que é a vida. É por isso que o uso de substâncias, legais ou não, que afetam o sistema nervoso central, sempre foi debatido: em última instância existe uma necessidade de fuga da realidade. Mesmo que sem causar aglomerações, muitas pessoas estão percebendo o aumento do consumo de álcool ou outras drogas, e talvez, essa privação da liberdade esteja diretamente ligada a isso.

Outra dificuldade que parece estar aparecendo muito é para dormir. Como muitas pessoas transformaram seu quarto, que antes era espaço de descanso, em espaço de trabalho, é complicado para o cérebro fazer essa transição, ainda mais se você passar a maior parte do tempo em um mesmo cômodo da casa. Por isso, o ideal é ter um outro lugar para trabalhar, pode ser um outro quarto, mas que não seja o seu. 

Os adolescentes também foram muito afetados, mesmo que consigam manter a rotina de estudos online, que já é um desafio, a falta de contato social, e gasto de energia, dificulta uma rotina de sono que funcione. Se for possível criar tarefas dentro de casa, momentos voltados a atividades físicas, mas ainda assim, vale lembrar que o mundo se transformou desde a pandemia, então esse processo de adaptação vai mexer sim com a sua disposição, seu sono e sua energia.

Com as vacinas sendo produzidas aqui e distribuídas com mais regularidade e um novo normal aparentemente se aproximando aos trancos e barrancos ao longo deste ano, aceitando a importância desse momento e todas as transformações que nos foram impostas, nós perguntamos: o que podemos fazer para controlar melhor nosso emocional?

Redefinir a nossa vida

A maioria de nós experimentou algumas revelações sobre nossas vidas durante o curso da pandemia. Talvez percebamos que passamos horas demais no escritório, desnecessariamente. Para o distanciamento social em casa, talvez tenhamos aprendido que realmente nos beneficiamos de muito mais tempo juntos como a família, e que as contas bancárias emocionais que compartilhamos estão desfrutando de saldos maiores do que, talvez, já tiveram antes.

Por meio da união forçada, talvez tenhamos inadvertidamente descoberto que precisamos de mais tempo sozinhos, lendo, ouvindo música, meditando ou apenas sentados em silêncio.

Dedicar alguns minutos para meditar uma ou duas vezes ao dia pode ajudar muito a melhorar a saúde mental.

Recomendo que você avalie as lições que aprendeu ao longo da pandemia e as implemente, na medida do razoável, em sua nova vida normal.

Vá da inércia ao movimento

Todos nós sabemos que o movimento é um componente importante para nosso bem-estar físico, mas também fortalece nossa saúde emocional.

À medida que a pandemia se aproxima do segundo ano, muitos de nós nos tornamos cada vez mais inertes, permitindo que nossa energia ansiosa permaneça em nossos corpos. É crucial para se mover, quer você caminhe, corra, levante ou ande de bicicleta ergométrica. Saia ao ar livre e pegue o ar fresco todos os dias, faça o que estiver ao seu alcance!

Encontre o significado e aja

Muitos de meus clientes me dizem que atingiram uma crise existencial em relação ao significado de suas vidas. A oportunidade aqui é desenvolver vínculos e buscar atividades que façam algum sentido para você, mesmo que temporariamente. Aprimorar o vínculo com pessoas, religião, instituições e/ou colocar em prática algo que se sinta contribuindo para o outro é importante.

Obtenha ajuda

Se você está lutando para lidar com dias sombrios, procure um grupo de apoio online ou sessões de psicoterapia individuais.

Trate a saúde mental como a saúde física e trabalhe para tratar além de doenças emocionais, para manter o bem-estar emocional. Acredito que as pessoas estejam percebendo a importância e, principalmente, a diferença que é tratar a saúde mental, e tenho a esperança de que esse olhar permaneça daqui para frente. 

Você já sentiu solidão, esgotamento, ansiedade ou tristeza por causa da pandemia? Você está preocupado com os efeitos de longo prazo na saúde mental? Que perguntas você tem sobre como cuidar de sua saúde mental após um ano de tantas incertezas?

Sou Joana Santiago – Psicóloga

Alguém que constantemente o deixa confuso e esgotado mentalmente, mas você simplesmente não consegue apontar o porquê, provavelmente, é um manipulador emocional.


Querendo ou não todo início do ano somos bombardeados com as informações do BBB e esse último, o assunto que chamou muito atenção nas redes sociais e em grupos de conversas, foi que entre os participantes uma se destacou bastante – Karol Conká, a cantora e artista se mostrou uma pessoa com comportamentos manipuladores, abusivos e até de terror psicológico. Mas será que esses comportamentos são fáceis de serem percebidos? Será que você consegue perceber quando alguém está tentando te manipular?

A manipulação emocional pode ser difícil de identificar, mas as consequências em nossas vidas são bem visíveis.

Manipuladores emocionais são pessoas que fazem as outras se sentirem mal por não atenderem aos seus desejos, ainda que façam isso inconscientemente. A rigor, uma pessoa não deve ter qualquer poder sobre as atitudes, sobre os pensamentos e sobre a aparência de outra. A mágoa que ela guarda por algum tipo de discordância não é responsabilidade da pessoa que a desagradou, mas dela mesma.

Então todo manipulador emocional é, antes de tudo, uma pessoa que ultrapassa limites. Ela não reconhece que cada pessoa tem um desejo e uma forma de pensar. Tudo deve ser como e quando ela quer, ainda que a questão não diga respeito à vida dela.

A presença de uma pessoa com esse comportamento nas nossas vidas pode tornar a rotina exaustiva e desgastante. Nos esforçamos para fazer o melhor para essa pessoa, mas ela nunca está satisfeita e continua apontando defeitos nos nossos comportamentos. A insegurança, a baixa autoestima e a desilusão são sensações comuns para quem lida com manipuladores emocionais.

As manipulações podem ocorrer de várias formas e, para te ajudar a perceber se você está sendo manipulado, vou explicar alguns sinais que podem indicar isso. Vale ressaltar que nenhum desses sinais podem ser analisados de forma isolada ou fora de contexto.

1. Manipulam por meio de palavras

Um manipulador pode dizer coisas de forma que pareça genuína e honesta. Eles são exímios na arte de esconder suas verdadeiras intenções.

Por exemplo, você pode expressar raiva por perder um aniversário/ocasião especial e eles respondem algo como “nossa, você me deixa muito triste em pensar que eu esqueceria o seu aniversário”. Ou ainda “nossa, eu minto porque você me obriga”.

É muito comum que eles usem as palavras para fazer você se sentir culpado por algo que, na realidade, você não tem culpa. Pode ser de um simples esquecer a data de aniversário e parar até mesmo em agressões mais graves.

2. Distorcem fatos

Outra forma de manipulação é quando eles distorcem o que aconteceu ou o que você falou. Usa frases fora do contexto ou reconta um fato na visão deles. Alguns são capazes de fazer você acreditar nisso. Normalmente justificam o mau comportamento deles e culpam você.

3. São ótimos em fazê-lo sentir culpa

A culpa é uma das grandes armas da manipulação emocional. É sempre você. Você deixou de falar ou falou demais. Você se preocupa demais ou não se preocupa. Você é cuidadoso demais ou desleixado…

Enfim, o manipulador sempre tentará convencê-lo de que a culpa do mau comportamento é sua. E eles são ótimos em se colocarem na posição de vítima.

4. Minimizam seus problemas

Os manipuladores emocionais não se importam com seus problemas pessoais. Sempre que você fala algo como “nossa, estou com enxaqueca” eles vão dar um jeito de convencê-lo que têm um problema muito pior.

5. Passivo-agressivo

O comportamento passivo-agressivo é muito comum na manipulação emocional. Eles costumam dizer coisas boas para você, mas superficiais. Em seguida vão depreciá-lo, inventar algum problema, bagunçando sua saúde psicológica. Ou simplesmente ficarão em silêncio do nada, deixando-o ainda mais culpado, querendo descobrir o que “fez de errado”.

6. Agressão

Manipuladores geralmente usam linguagem e ações agressivas para intimidá-lo. Se percebem que você não os confronta, eles farão com que você se sinta desconfortável e, portanto, eles conseguirão o que querem facilmente.

As agressões tendem a ficar cada vez piores, podendo partir para situações de abuso. Experts em manipulação emocional podem atraí-lo parecendo calorosos e gentis. Mas, com o tempo, suas verdadeiras intenções tornam-se claras com comportamento agressivo, tratamento silencioso e acessos de raiva.

Se você reconhecer esses “sinais”, poderá sentir que é difícil se libertar por culpa e lealdade, mas é vital para sua própria saúde mental. A ajuda de um psicólogo pode ser muito valiosa para reconquistar sua liberdade, felicidade e autoestima por meio da psicoterapia.

Deixa aqui em baixo um comentário, se reconhecer esses sinais em alguém do seu convívio 😉

Sou Joana Santiago – Psicóloga

Coragem não é ausência de medo. É fazer o que você quer apesar do medo.

Você já se perguntou quantas oportunidades perdeu na vida por ter medo? Já pensou nas situações em que não agiu como gostaria porque não conseguiu superar temores que te impediam de avançar? Apesar de ser absolutamente normal, para ser livre e de fato evoluir na vida pessoal e profissional é fundamental saber como superar os medos e inseguranças.

Pela minha experiência vejo que o ser humano tem a capacidade de criar uma condição de coragem interna fantástica, que o impulsiona a enfrentar esse sentimento que, muitas vezes, pode ser um impedimento para fazer o que realmente precisa ser feito.

Mas como superar os medos?

Medo saudável x Medo incontrolável

“Ter coragem” não é exatamente “não ter medo”. A sensação de temor é importante para que estejamos sempre em estado de alerta e preparados para aquilo que pode não dar certo em nossas vidas.

Dessa forma, o medo é positivo e tem o papel de “protetor”, o que é saudável e faz bem. É o caso, por exemplo, de quando você toma atitudes preventivas, como rever a sua apresentação antes de uma reunião de trabalho para evitar que algo dê errado durante o encontro.

Só que o medo se torna um problema quando, em uma situação profissional como essa, você fica travado e não consegue expor uma ideia. Pode acontecer, inclusive, que outra pessoa se destaque sugerindo o que você tinha pensado, mas que, por receio, você não falou.

Esse medo patológico e incontrolável pode impedir a sua evolução. Se você não apresenta o seu negócio a um possível parceiro ou não tem coragem de sair de um relacionamento que não te faz bem ou simplesmente não consegue falar com aquela pessoa que se interessou por temor de ser rejeitado, você está sendo dominado por ele. E o medo se torna uma espécie de “carcereiro”.

Só depende de você superar seus medos

Quando você não consegue fazer o que é necessário para melhorar a sua vida, é sinal de que precisa agir para superar os medos que se tornaram obstáculos em seu caminho. Para isso, é fundamental entender que o medo é uma criação da sua mente.

Todos sentimos medo de que algo não saia como o planejado e nos cause sofrimento, mas não podemos nos deixar dominar por esse estado. Superar os medos é um grande desafio, mas não é impossível. Veja como começar a enfrentá-los.

Foque no que depende de você

A manifestação do medo é baseada em projeções de cenários criados pela nossa mente. O medo está relacionado, na maioria dos casos, a um futuro cenário negativo criado por você e que não condiz com a realidade.

A superação desse medo exige a distinção entre o que depende de você e aquilo que não está ao seu alcance. As pessoas que conseguem dominar o medo incapacitante se concentram nas coisas que dependem exclusivamente delas. Focar-se nas situações externas é uma forma de alimentá-lo.

Prepare-se minimamente

Preparar-se antes de fazer algo ou de tomar uma decisão é outro modo de superar os medos. Nesse sentido, é útil usar o conceito do “suficientemente bom”.

Isso significa que você não pode ficar a vida inteira se preparando: se você se preparou minimamente, já é suficiente para ir em frente. Caso contrário, vai achar que nunca estará pronto e não sairá do lugar.

Controle o seu discurso interno

A mania de controlar tudo é um fator gerador de medo. As pessoas viciadas em controle agem como se fosse possível garantir que tudo vai dar certo. E essa tentativa de controle é uma grande ilusão.

Existe, contudo, outro tipo de controle que é um grande aliado para superar os medos: o controle do seu discurso interno, que te dá a oportunidade de realizar seus objetivos sem que o medo funcione como um mecanismo de bloqueio em sua vida. É preciso domar os pensamentos, por exemplo, por meio de estratégias da Neurociência que possibilitem a você assumir o domínio sobre sua mente.

A superação dos medos traz benefícios para a saúde, para o convívio familiar e também para a evolução profissional e dos negócios. 

Comece a exercitá-la hoje mesmo!

Sou Joana Santiago – Psicóloga

Os grupos sociais são formados a partir de relações estáveis entre indivíduos que possuem interesses e objetivos em comum.

Uma tendência natural do ser humano é a de procurar uma identificação em alguém ou em alguma coisa. Quando uma pessoa se identifica com outra e passa a estabelecer um vínculo social com ela, ocorre uma associação humana e, com muitas associações humanas, são formados os verdadeiros grupos sociais. Mas se você tem dificuldades em formar vínculos sociais, não se preocupe, procure apoio profissional e melhore suas relações.

Ao longo de nossas vidas fazemos parte dos mais diferentes grupos de pessoas, família, amigos de infância, amigos do trabalho, pessoas da balada e por aí vai, seja por escolha própria, seja por circunstâncias que independem de nossa vontade. Assim, entramos e saímos de vários grupos sociais, os quais certamente são importantes e influenciam nossa educação, nossos valores e visões de mundo.

Na Sociologia, considera-se que os grupos sociais existem quando em determinado conjunto de pessoas há relações estáveis, em razão de objetivos e interesses comuns, assim como sentimentos de identidade grupal desenvolvidos através do contato contínuo. Estabilidade nas relações interpessoais e sentimentos partilhados de pertencimento a uma mesma unidade social são as condições suficientes. Além disso, é importante observar que o grupo existe mesmo que não esteja próximo dos componentes. Prova disso está no fato de que, ao sairmos da última aula da semana, embora fiquemos longe daqueles que compõem nossa sala, a classe por si só não se desfaz, ainda existindo enquanto grupo. Da mesma forma, podemos pensar isso para nossas famílias, o que corrobora o fato de que o grupo é uma realidade intermental, ou seja, mesmo que os indivíduos estejam longe, permanece o sentimento de pertença dentro da consciência de cada um.

Em psicologia, existe  o viés de favorecimento endogrupal, a tendência das pessoas favorecerem e preferirem seu grupo, por isso de maneira geral tendemos a gostar mais de pessoas que têm a mesma religião, nacionalidade ou preferência política que a nossa.

Os principais grupos sociais são o grupo familial (família), o grupo vicinal (vizinhança), o grupo educativo (escola, faculdade), o grupo religioso (instituição religiosa), o grupo de lazer (clubes, associações), o grupo profissional (escritórios, empresas, loja) e o grupo político (partido ou organização política).

Classificação dos grupos sociais:

  • Grupos Primários: predominam os contatos primários, mais pessoais, diretos, como a família, os vizinhos, etc.
  • Grupos Secundários: são mais complexos, como as igrejas e o estado, em que predominam os contatos secundários, neste caso, realizam-se de forma pessoal e direta, mas sem intimidade, ou de maneira indireta como e-mails, whatsApp, telefonemas, etc.
  • Grupos Intermediários: são aqueles que se alternam e complementam as duas formas de contatos sociais (primários e secundários). Ex: escola.

Características de um grupo social:

  • Pluralidade de indivíduos: há sempre mais de um indivíduo no grupo, coletivismo;
  • Interação social: os indivíduos comunicam-se uns com os outros;
  • Organização: todo o grupo, para funcionar bem precisa de uma ordem interna;
  • Objetividade e exterioridade: quando uma pessoa entra no grupo ele já existe, quando sai ele permanece existindo;
  • Objetivo comum: união do grupo para atingir os objetivos dos mesmos;
  • Consciência grupal ou sentimento de “nós”: compartilham modos de agir, pensamentos, idéias, etc. Ex: Nós ganhamos.
  • Continuidade: é necessário ter uma certa duração. Não pode aparecer e desaparecer com facilidade.

O viés endogrupal surge do estudo das relações entre diferentes grupos e conflitos. Esse viés é considerado um produto do conflito entre grupos, causado, por sua vez, pelos diferentes interesses entre os grupos ou por terem metas incompatíveis. Dois grupos podem ter o mesmo objetivo, mas o fato de um deles conseguir alcançá-lo significa que o outro não poderá mais conseguir.

Pesquisas encontraram uma explicação para o viés endogrupal. Partindo do fato de que as pessoas estão motivadas a alcançar ou manter um conceito e uma imagem positiva de si mesmas, descobrimos que as pessoas são definidas, em parte, por seus grupos de pertencimento. Portanto, se uma pessoa deseja obter uma boa imagem, ela deve fazer com que as imagens de seus grupos também sejam positivas, para que as pessoas também sejam motivadas a avaliar positivamente os grupos aos quais pertencem.

As avaliações feitas pelos grupos, são feitas por comparação. Não dizemos que nosso grupo é bom, mas que é melhor que o outro ou o melhor de todos. E muitas vezes desumanizamos o outro grupo. O processo de desumanização é uma falha em atribuir qualidades básicas a uma outra pessoa. Esse processo é comum contra membros de outra cultura, ou grupos estigmatizados em determinada cultura, estimulando crenças e condutas intolerantes, radicais e cruéis com os membros dos grupos. Em Antropologia conhecemos o Etnocentrimo, essa é uma tendência quase universal de grupos humanos perceberem os hábitos característicos do seu grupo como mais corretos, naturais e superiores aos de outro grupo, o que leva maior propensão de ocorrer descriminação e hostilidade entre os grupos.

Acredito que um dia, consigamos conviver em harmonia,
percebendo as semelhanças e acabando com os preconceitos.

O que sabemos também, por meio de pesquisas sobre o assunto, é que é possível mudar os estereótipos e preconceitos associados com outros grupos, por meio do contato. Existem estudos indicando que ao participar de atividades que demandam cooperação entre pessoas de grupo diferentes e até mesmo antagônicos, é possível perceber semelhanças nas pessoas do outro grupo e até notarem os dois grupos como uma mesma entidade social, o que pode resultar numa recategorização do grupo e redução do preconceito.

Que tal perceber se existe oportunidade de passar a conhecer grupos diferentes e conviver com pessoas novas?

Sou Joana Santiago – Psicóloga

Cuidado nas confraternizações de final de ano é essencial para não proliferar o coronavírus.


Depois de quase um ano de isolamento social e perdas dolorosas, muitas pessoas estão preocupadas com as comemorações ou, pelo menos, os encontros com os familiares e amigos no Natal deste ano. O que pode ser feito? Como proteger a si mesmo e as pessoas queridas? Como controlar a ansiedade e os receios que estão desestruturando muitas pessoas em todo o mundo? 

As festas de Natal e Ano Novo serão diferentes esse ano. Isso, é claro, se você seguir todos os cuidados para evitar a contaminação pelo coronavírus. O mais seguro, inclusive, seria que as famílias e amigos não se encontrassem neste ano. A indicação é da própria OMS (Organização Mundial da Saúde).

Os especialistas na área da saúde seguem a mesma orientação. Isso vale especialmente para núcleos familiares que não moram na mesma casa. Para famílias que já estão em convívio diário, a confraternização pode ser realizada seguindo os cuidados de higienização ao voltar da rua, por exemplo, adotados desde o início da pandemia.

É importante considerar algumas coisas na hora de planejar a reunião familiar. Dicas como: poucas pessoas. Preferencialmente as pessoas que já moram na mesma casa. Usar máscara, se vier alguma pessoa que não é do seu convívio diário. Tirar os sapatos na entrada. Ambientes abertos, com renovação de ar, são preferíveis, reforçando ainda que qualquer pessoa com sinais de resfriado ou gripe deve se ausentar desses eventos. Abusar do álcool em gel e lavar as mãos. Não compartilhar objetos pessoais como copos, pratos e talheres. Para famílias muito grandes, recomenda-se também dividir os membros em dois grupos e realizar dois encontros na véspera e no dia de Natal.

Na parte psicológica, sou favorável que as reuniões familiares de final de ano aconteçam, mas ressalto a importância de seguir os protocolos sanitários. Apesar da pandemia é melhor estarmos entre os nossos entes queridos, com os devidos cuidados, do que passarmos sozinhos por este período de fim de ano, que muitas vezes pode levar à melancolia, principalmente na situação que estamos vivendo.

É preciso estar com pessoas, valorizar aquilo que importa. Este movimento positivo ajuda a enfrentar as adversidades, mas fazer um balanço consigo próprio sobre o que é importante, o que é essencial,  quem são as pessoas essenciais para você estar perto e considerar que familiares saudáveis poderão viver este e várias comemorações pela frente, são aspectos que entram nesta conta. 

Quem prefere manter o isolamento social de forma nenhuma está errado, mas para superar a sua solidão e a do ente querido, pela ausência de contato, é muito importante que mensagens sejam enviadas.

Se você não puder estar presente, mande um abraço pelo WhatsApp ou faça uma chamada de vídeo. O importante é não se desconectar, não perder de vista nossas comunidades de referência porque elas são também fonte para nossa saúde mental.

Desejo um Feliz Natal. Que encontremos instantes de alegria em meio a pandemia.
Muito amor, paz e saúde.

Depois me conte como foi o seu Natal 😉

Sou Joana Santiago – Psicóloga

A situação atual de pandemia mais home office tem chamado a atenção pela complexidade no equilíbrio da rotina e na saúde mental.

Nesses últimos meses tenho ouvido muitos relatos sobre uma sensação de estresse extremo, que se reflete em não ter paciência com filhos, cônjuges, colegas, prestadores de serviço etc.  Além disso, posso me atrever a dizer que, cada vez mais, tem sido difícil ser produtivo e que dormir bem se tornou um desafio… pode até ser que você consiga pegar no sono, mas a sensação de cansaço continua.

Faço um alerta: se esses sintomas persistem, algo está errado e pode ser que você esteja próximo de uma situação de estresse crônico, e é preciso investigar uma possível Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional.

Essa é uma das enfermidades que vem chamando a minha atenção neste momento, devido ao seu crescimento a partir da mudança abrupta do novo estilo de trabalho que, inicialmente, foi romantizado. Da noite para o dia, passamos ao home office ou teletrabalho, com expediente em casa, tarefas domésticas e família disputando espaço com as responsabilidades profissionais.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), que oficializou o burnout como doença crônica ano passado, o define como uma síndrome que resulta de um estresse crônico no local de trabalho, que não foi gerenciado com sucesso.

A síndrome pode ser identificada a partir de três dimensões: 

  • Sentimentos de exaustão ou esgotamento de energia
  • Aumento do distanciamento mental do próprio trabalho ou sentimentos de negativismo ou cinismo relacionados ao próprio trabalho
  • Redução da eficácia profissional

Detectar o burnout é mais complexo do que parece. Não existem exames de sangue e de imagem ou testes de resistência física para flagrá-lo. O diagnóstico vem de uma escuta atenta do paciente e de uma avaliação minuciosa de suas condições de trabalho. Isso é determinante para não confundi-lo com outras desordens mentais.

Prevenção passa por cuidados simples e pelo respeito de limites

A prevenção pode se dar por práticas simples e prazerosas, desde que você também assuma esse compromisso com o seu autocuidado. E lembre-se: organização, planejamento, engajamento, disciplina e regularidade são fundamentais para você garantir longevidade e sustentabilidade com sua saúde como um todo.

Procurar atividades fora do trabalho, cuidar da alimentação e praticar exercícios para evitar o problema. Ao mesmo tempo, as empresas devem adotar estratégias de respeito aos limites dos seus colaboradores e precisam ter cuidado para não criar um ambiente onde impera pressão e as ameaças de demissões. 

Os líderes devem fomentar uma cultura corporativa sadia e se manterem atentos para qualquer sinal de adoecimento dentro das suas equipes, criando condições para que seus funcionários tenham prazer em sua rotina.

Vivemos um tempo de confusão entre o que é casa e o que é trabalho. A insegurança quanto à continuidade do emprego também pode favorecer relacionamentos abusivos. Esse é um momento em que as empresas devem ficar ainda mais atentas para evitar que seus talentos adoeçam e futuros problemas na justiça.

Sou Joana Santiago -Psicóloga

O cérebro não consegue mais raciocinar, solucionar problemas e visualizar coisas boas. Ele precisa, de fato, descansar!

Talvez uma das maiores dificuldades atuais seja aliar saúde e alto desempenho profissional. Afinal, com o ritmo frenético de atividades realizadas, a sobrecarga passa a fazer parte da rotina e é aí que os problemas começam.

As horas de expediente nunca parecem dar conta de todos os problemas que precisam ser resolvidos. Fora do trabalho, você procura ser o marido ou a esposa modelo, o pai ou a mãe do ano, o amigo ou a amiga de todas as horas.

Ah! E ainda tem que resolver todas as suas questões pessoais….ufa, não há ser humano que consiga dar conta disso tudo sem, ao final do dia, estar com aquela sensação de que precisa de férias imediatas para hibernar!

Mente cansada

O cansaço mental é um processo de desgaste, que ocorre, principalmente, em função do estresse e do excesso de informações que o nosso cérebro recebe. Em tempos de redes sociais, notificações e multi-telas, o ser humano vive soterrado de informações que invadem os sentidos diariamente e, nem sempre, são informações imprescindíveis.

Mesmo que não sejam importantes, essas informações desgastam a nossa atenção por termos que lidar com vários estímulos diários. Então, é notório o aumento de casos de estresse e transtornos de ansiedade em função do modo de vida que o ser humano está tendo, sempre sobrecarregado.

Uma hipótese é a de que esse processo de desgaste está ligado, sobretudo, ao nosso estoque de energia mental. Ao longo do dia, nos baseamos em um limite de recursos que nos fazem ter o que chamamos de “força de vontade” e “autocontrole”. Ou seja, disponibilizamos determinada energia para realizar nossas tarefas e metas. Quando esgotamos esse recurso, nos sentimos cansados.

Se temos energia disponível para realizarmos as tarefas, qual o motivo de nos sentimos tão exaustos no fim do dia? A resposta pode estar na tensão que é criada quando, sobrecarregados, perdemos o interesse em realizar as atividades.

Mas você sabe a diferença entre cansaço mental, fadiga e Burnout?

Esses termos estão aparecendo regularmente e, às vezes, indistintamente. No entanto, eles não significam a mesma coisa. Pensamos em aproveitar a oportunidade para definir cada um em relação ao local de trabalho, pois eles impactam nossa saúde mental de maneiras diferentes. Pode ser difícil diferenciar cansaço, fadiga e esgotamento, mas um bom indicador é a rapidez com que a recuperação leva. 

Uma boa noite de sono, uma refeição nutritiva e um banho quente costumam aliviar o cansaço. Férias de uma a duas semanas ou licença do trabalho com foco em desligar, desestressar e recarregar podem aliviar o cansaço. A fadiga requer um esforço mais consistente para lidar com o estilo de vida subjacente, os fatores de bem-estar e pode levar vários meses para ser superada. 

O Burnout é mais difícil de tratar, pois depende da intensidade e da duração do burnout, da qualidade da recuperação e da situação geral da pessoa que o vivencia. Para alguns, um plano conjunto elaborado entre eles e seu gerente pode ser o suficiente para começar a se sentir no topo das coisas novamente. Outros podem precisar mudar completamente de empresa ou carreira e começar do zero. Alguns podem precisar de aconselhamento adicional ou para desenvolver novos mecanismos de enfrentamento, como uma prática regular de meditação, uma rotina de relaxamento e até mesmo novos hobbies. 

Respeite os sinais do seu corpo

Tanto a fadiga quanto o esgotamento podem terminar em uma sensação de exaustão física e mental; a fadiga pode ser causada por uma variedade de fatores, desde o estilo de vida até o ambiente, enquanto o esgotamento é causado por períodos prolongados de estresse emocional e frustração. Já no caso de Burnout, você precisa de ajuda terapêutica psicológica. Só ela apresenta muitos benefícios e proporciona ferramentas eficazes para compreender a natureza destes males.

Entender sobre o que acaba com a nossa energia mental importa, pois quando estamos mentalmente exaustos, tendemos a estar mais dispersos e descuidados. Ainda, quanto mais aprendermos sobre a fadiga, mais chances temos de construir uma rotina equilibrada e prazerosa, inclusive no trabalho.

Sou Joana Santiago – Psicóloga

É comum que as pessoas vivam crises existências em algum momento das suas vidas.

Quase todo mundo, em algum momento da vida, vai passar (ou já passou) por uma crise existencial. Essa sensação de perda do sentido e o constante questionamento sobre a própria existência traz ao indivíduo uma enorme angústia, que pode até desencadear ansiedade e atrapalhar o convívio social.

Existem cinco principais preocupações existenciais que vamos nos deparar em algum momento da vida: morte, significado da vida, isolamento, identidade e liberdade. Todas elas resultam do embate entre nossas motivações humanas básicas e a realidade ambígua que vivemos.

Mas afinal, o que nos faz passar por uma crise existencial? Que tipo de acontecimentos desencadeiam esse sentimento de dúvida e todos os conflitos internos que vivenciamos?

Uma crise existencial se refere a sentimentos de mal-estar sobre o significado, a escolha e a liberdade na vida. Quer seja referida como uma crise existencial ou ansiedade existencial, as principais preocupações são as mesmas: que a ideia é que a vida é inerentemente sem sentido, que nossa existência não tem sentido porque há limites ou fronteiras nela, e que todos devemos morrer algum dia.

A ansiedade existencial tende a surgir durante as transições e reflete a dificuldade de adaptação, muitas vezes relacionada à perda de proteção e segurança. Por exemplo, um estudante universitário que está se mudando de casa ou uma pessoa adulta passando por um divórcio difícil pode sentir que o alicerce sobre o qual sua vida foi construída está desmoronando. Isso pode levar a questionar o significado de sua existência.

Para os existencialistas, uma crise existencial é considerada uma jornada, uma tomada consciência, uma experiência necessária e um fenômeno complexo. Surge de uma consciência de suas próprias liberdades e como a vida vai acabar para você um dia.

Reconhecendo uma crise existencial  

Uma crise existencial tende a surgir a partir de algum acontecimento impactante e traumático. Porém, cada pessoa sente e age de forma muito particular e distinta diante dessas situações e, por isso, os sintomas, principalmente os de fundo emocional, podem variar bastante de acordo com as experiências de cada um e com momentos da vida. Portanto nesse momento, buscar ajuda profissional de um psicólogo é fundamental!

Ainda assim, certos sinais recorrentes apontam para o surgimento da crise existencial, sendo os mais comuns:

  • estafa mental
  • ansiedade
  • necessidade de isolamento
  • desânimo constante
  • pessimismo e insatisfação
  • alterações no apetite
  • sono desregulado
  • sentimento de incapacidade
  • ausência de objetivos e incertezas sobre o futuro
  • dúvidas e questionamentos sobre a própria personalidade

A crise de meia-idade

O termo crise da meia idade foi formulado por Elliott Jaques, um médico canadense, que descreveu as dificuldades emocionais que algumas pessoas costumam passar entre os 45 e 55 anos. Essa fase da vida pode ocasionar insegurança, ansiedade e baixa autoestima.

Essas dificuldades, que podem gerar uma crise existencial, são desencadeadas por diversos fatores:

  • alterações hormonais
  • crises profissionais
  • casos extraconjugais
  • síndrome do ninho vazio
  • morte de parentes ou amigos próximos

De qualquer modo, a crise da meia-idade se origina na mesma fonte da crise existencial,
o questionamento. Só que neste caso, a crise apenas aparece como o produto de um acúmulo de estresse e cobranças ao longo de anos, geralmente inseridos em um projeto pessoal de casamento, sucesso profissional ou comodismo.

Quando tudo isso é associado às expectativas concentradas sobre uma única pessoa, ou seja,  o(a) “provedor(a)” da casa, essa pressão pode levar inclusive a um desgaste mental profundo (burnout).

Como superar a crise existencial?

Algumas pessoas podem ter dificuldades de lidar com os sentimentos que essa fase desperta e com as questões que a envolvem. Diante dessa dificuldade, pode ser necessário buscar apoio psicológico através de psicoterapia. O trabalho do psicólogo, que é um profissional capacitado para orientar sobre a forma de lidar com os sentimentos e adversidades, ajudará a resolver problemas que parecem não ter solução.

De todo modo, é importante que a pessoa que se vê diante dos dilemas existenciais entenda que nunca será possível ter todas as respostas para todas as dúvidas e que não há problema nisso!

É fundamental entender as razões de todos os sentimentos conflitantes despertados na crise. A partir de disso se dá o primeiro passo rumo à solução de boa parte dos questionamentos e do reencontro com o equilíbrio emocional que ficou abalado em algum momento.

Sou Joana Santiago – Psicóloga

“A sexualidade tem muito mais riqueza e complexidade do que imaginamos, pelo simples fato de ser a capacidade de um ser tão rico e complexo como é o ser humano”.
Julian Fernandez de Quero

SEXUALIDADE

A sexualidade um dos impulsos fundamentais por trás dos sentimentos, pensamentos e comportamentos humanos. Ele define os meios de reprodução biológica, descreve representações psicológicas e sociológicas de si mesmo e orienta a atração de uma pessoa por outra. Além disso, ele molda o cérebro e o corpo para que busquem o prazer. No entanto, por mais importante que seja a sexualidade para o ser humano, ela é freqüentemente vista como tabu, mas é necessário falar sobre esse assunto, porque o desconhecimento sobre ele só ajuda a perpetuar o sofrimento que milhares de pessoas vivem todos os dias.

A sexualidade humana se manifesta de várias formas, para falarmos sobre ela é importante primeiro, sabermos a diferença entre sexo, gênero, identidade de gênero e orientação sexual.

SEXO

É a parte biológica. Se divide em macho, fêmea e intersexo. Ele é definido pelos seus cromossomos e por características como os orgãos reprodutivos internos e externos. Curiosamente, o sexo biológico não é tão facilmente definido ou determinado como você poderia esperar, já que pessoa biologicamente intersexo pode nascer com características de fêmea ou de macho.

GÊNERO

Descreve o psicológico (identidade de gênero ) e o sociológico (papel de gênero) nas representações do sexo biológico. Desde muito cedo, começamos a aprender as normas culturais do que é considerado masculino e feminino. Por exemplo, as crianças podem associar cabelos longos ou vestidos com feminilidade. Mais tarde na vida, como adultos, frequentemente nos conformamos a essas normas nos comportando de maneiras específicas ao gênero: como homens, construímos casas; como mulheres, fazemos biscoitos ( Marshall, 1989 ; Money et al., 1955 ; Weinraub et al., 1984 ).

Como as culturas mudam com o tempo, as idéias sobre identidade de gênero também mudam. Por exemplo, as culturas européia e americana hoje associam rosa com feminilidade e azul com masculinidade. No entanto, há menos de um século, essas mesmas culturas envolviam os meninos de rosa, por causa de suas associações masculinas com “sangue e guerra”, e vestiam as meninas de azul, por causa de suas associações femininas com a Virgem Maria ( Kimmel, 1996 )

IDENTIDADE DE GÊNERO

Tem a ver com qual gênero você se identifica. Um indivíduo biologicamente macho pode se identificar com gênero masculino ou com o feminino e uma pessoa biologicamente fêmea também pode se identificar com qualquer um dos dois.
Transgêneros são pessoas com cuja identidade de gênero ou expressão dessa identidade, difere do seu gênero relacionado com seu sexo biológico. Um exemplo é uma pessoa biologicamente macho, mas que se identifica com o gênero feminino e se veste ou se comporta com o gênero feminino e vice versa.
Quando a identidade e expressão de gênero é coerente com o gênero atribuído a uma pessoa, a chamamos ela de Cisgênero.

Sexo e gênero são aspectos importantes da identidade de uma pessoa. No entanto, eles não nos falam sobre a orientação sexual de uma pessoa. 

ORIENTAÇÃO SEXUAL

Se refere à atração sexual de uma pessoa por outra. No contexto da orientação sexual, atração sexual se refere à capacidade de uma pessoa despertar o interesse sexual de outra ou, inversamente, o interesse sexual que uma pessoa sente por outra.

Ela geralmente se divide em orientação heterossexual, homossexual ou bissexual. Apesar dessas divisões, hoje em dia a orientação sexual é vista mais como continuo, variando de um extremo ao outro. Mas ela não é necessariamente fixa, e pode variar por diferentes razões.

Tanto a orientação sexual e quanto a identidade de gênero, costumam se manifestar desde cedo, independente dos pais ou pessoas próximas serem heterossexuais, homossexuais, transgêneros ou cisgêneros. Todas essas características da sexualidade são determinadas por muitas coisas, como herança genética passada pelos pais, o funcionamento das glândulas e hormônios do corpo, as primeiras experiências de socialização, a cultura vigente e as suas experiências de vida.

A nossa sociedade incentiva algumas orientações e identidades enquanto discrimina outras. Por isso, os pais de uma criança costumam incentivar ou reprimir as manifestações de sexualidade à partir das normais culturais com as quais eles concordam. E isso ocorre muito. Em nossa cultura assim como em muitas outras, homossexuais e pessoas com identidade diferente do seu gênero, são alvo de descriminação e violência. O pior que isso ocorre por motivos que estão além do controle da pessoa.

O sexo, a orientação sexual e a identidade de gênero, não são meras escolhas que fazemos. Uma pessoa pode disfarçar seus sentimentos ou tentar obedecer um certo padrão de sexualidade para ser melhor aceito ou evitar punições, o problema é que isso pode levar anos de sofrimento, frustração e até mesmo suicídio.

Expressar a própria sexualidade é uma parte fundamental no desenvolvimento psicológico saudável de qualquer pessoa. E a educação sexual, nesse sentido, tem muito a dizer. Através do conhecimento, ela abre o processo de conscientização para que cada indivíduo possa ser livre para decidir e escolher um modo de viver e desfrutar da sua própria sexualidade.

Busque ajuda e acolhimento.

Sou Joana Santiago – Psicóloga

Entender o comportamento dos jovens e respeitar o momento que eles vivem é fundamental para uma relação saudável e feliz.

Fase muito temida pela maioria dos pais, a adolescência é um período de muitas descobertas, mudanças no corpo, nos pensamentos e principalmente no comportamento. Os conflitos com os pais aumentam nesse período, e por isso o apelidamos de – aborrecência. Esse neologismo atribui o aspecto negativo desse período. Mas será que só tem aspectos ruins mesmo?

Cheios de energia, convicções e uma avidez de conhecer o mundo e tudo o que nele há, os adolescentes costumam testar toda a base educacional que receberam, exigindo paciência e, principalmente, muita sabedoria.

Por diversas razões, é difícil definir a adolescência em termos precisos. O início da puberdade, que pode ser considerada uma linha de demarcação entre a infância e a tal fase, não resolve a dificuldade de definição. Termos científicos não são práticos e pesquisas não são 100% assertivas, já que cada indivíduo vivencia esse período de modo diferente e único. Então, o que resta? Como entender os adolescentes e essa fase tão singular?

A resposta é simples e direta: ouvindo-os

Através do diálogo é possível obter bons resultados. Quando o pai e a mãe se tornam “amigos” do adolescente e tentam entender o momento em que estes estão vivenciando, a relação começa a se tornar muito mais harmoniosa e o filho começa a perceber que a companhia da família é agradável.

Outra chave para uma boa convivência é aprender com as diferenças e lidar com os temperamentos. Os conflitos entre pais e filhos adolescentes não precisam ser vividos de forma violenta, mas podem ser vistos como uma oportunidade de lidar com percepções diferentes, respeitando e solidificando uma base de interações harmônicas.

A adolescência é uma fase em que os filhos saem do seio familiar para descobrir o mundo e a si mesmos. É comum que haja um afastamento, já que eles se interessam mais por estar com amigos da mesma idade, dividindo interesses e visões de mundo. E isso é completamente normal.

O problema, cada vez mais presente, é quando o adolescente se afasta demais dos pais e passa a ignorá-los. Nessa hora, é necessário voltar ao ponto de partida e entender o que ocasionou tal afastamento e, principalmente, o que tem fomentado essa atitude.

A dificuldade na convivência pode partir das duas partes. Hoje vivemos um tempo em que a paternidade e a maternidade estão em questão. O comportamento dos pais na atualidade também sofreu e sofre uma série de impactos. A superficialidade está tanto nos filhos quanto nos pais. Os motivos de um distanciamento podem ser vários, entre eles o trabalho, os estudos, o consumo, o modelo de relacionamento, o não acompanhamento dos filhos, a terceirização da educação e do cuidado… São vários os fatores que podem resultar em um problema.

Outra causa pode ser o uso excessivo da internet, um drama que atinge mais e mais famílias com o passar do tempo. O contato com a tecnologia é inevitável, e pode ser muito benéfico para todas as partes. Proibir não é o caminho, mas o uso deve ser muito bem observado, principalmente na infância. Uma criança que fica tempo demais na internet pode se transformar em um adolescente fechado, com dificuldade para interagir socialmente. “Não existe uma medida-padrão, mas é importante verificar se as crianças conseguem estabelecer relações e práticas no campo não virtual. Se conseguem brincar, dialogar e interagir. Por vezes, os pais oferecerem acesso ao mundo virtual como uma forma de docilizar as crianças. Não estabelecer limites ou deixá-las entregues à internet apenas para que elas fiquem quietas, é um erro.

Quando o problema já é uma realidade na adolescência e os filhos já estão distantes demais, minha dica é evitar discussões e arbitrariedades. É fundamental não estabelecer uma concorrência ou polarização, como por exemplo: ‘Ou nós, ou o mundo virtual’. É importante investir nas relações, no contato, no querer saber do outro. Não de modo utópico ou pedagógico, mas uma prática cotidiana. Um modo de mostrar aos adolescentes e jovens que a relação com os pais pode ser algo interessante.

Felizmente, esse período de tensão e conflito desconfortáveis entre os jovens e seus pais não dura para sempre. Normalmente, os jovens se aproximaram de seus pais novamente no final da adolescência. Como regra geral, se os jovens e seus pais desfrutaram de um relacionamento próximo, de confiança e amoroso antes da adolescência, essas mesmas qualidades geralmente são restauradas no final da adolescência, quando o conflito diminui.

Acredite.

Sou Joana Santiago – Psicóloga