É comum que as pessoas vivam crises existências em algum momento das suas vidas.

Quase todo mundo, em algum momento da vida, vai passar (ou já passou) por uma crise existencial. Essa sensação de perda do sentido e o constante questionamento sobre a própria existência traz ao indivíduo uma enorme angústia, que pode até desencadear ansiedade e atrapalhar o convívio social.

Existem cinco principais preocupações existenciais que vamos nos deparar em algum momento da vida: morte, significado da vida, isolamento, identidade e liberdade. Todas elas resultam do embate entre nossas motivações humanas básicas e a realidade ambígua que vivemos.

Mas afinal, o que nos faz passar por uma crise existencial? Que tipo de acontecimentos desencadeiam esse sentimento de dúvida e todos os conflitos internos que vivenciamos?

Uma crise existencial se refere a sentimentos de mal-estar sobre o significado, a escolha e a liberdade na vida. Quer seja referida como uma crise existencial ou ansiedade existencial, as principais preocupações são as mesmas: que a ideia é que a vida é inerentemente sem sentido, que nossa existência não tem sentido porque há limites ou fronteiras nela, e que todos devemos morrer algum dia.

A ansiedade existencial tende a surgir durante as transições e reflete a dificuldade de adaptação, muitas vezes relacionada à perda de proteção e segurança. Por exemplo, um estudante universitário que está se mudando de casa ou uma pessoa adulta passando por um divórcio difícil pode sentir que o alicerce sobre o qual sua vida foi construída está desmoronando. Isso pode levar a questionar o significado de sua existência.

Para os existencialistas, uma crise existencial é considerada uma jornada, uma tomada consciência, uma experiência necessária e um fenômeno complexo. Surge de uma consciência de suas próprias liberdades e como a vida vai acabar para você um dia.

Reconhecendo uma crise existencial  

Uma crise existencial tende a surgir a partir de algum acontecimento impactante e traumático. Porém, cada pessoa sente e age de forma muito particular e distinta diante dessas situações e, por isso, os sintomas, principalmente os de fundo emocional, podem variar bastante de acordo com as experiências de cada um e com momentos da vida. Portanto nesse momento, buscar ajuda profissional de um psicólogo é fundamental!

Ainda assim, certos sinais recorrentes apontam para o surgimento da crise existencial, sendo os mais comuns:

  • estafa mental
  • ansiedade
  • necessidade de isolamento
  • desânimo constante
  • pessimismo e insatisfação
  • alterações no apetite
  • sono desregulado
  • sentimento de incapacidade
  • ausência de objetivos e incertezas sobre o futuro
  • dúvidas e questionamentos sobre a própria personalidade

A crise de meia-idade

O termo crise da meia idade foi formulado por Elliott Jaques, um médico canadense, que descreveu as dificuldades emocionais que algumas pessoas costumam passar entre os 45 e 55 anos. Essa fase da vida pode ocasionar insegurança, ansiedade e baixa autoestima.

Essas dificuldades, que podem gerar uma crise existencial, são desencadeadas por diversos fatores:

  • alterações hormonais
  • crises profissionais
  • casos extraconjugais
  • síndrome do ninho vazio
  • morte de parentes ou amigos próximos

De qualquer modo, a crise da meia-idade se origina na mesma fonte da crise existencial,
o questionamento. Só que neste caso, a crise apenas aparece como o produto de um acúmulo de estresse e cobranças ao longo de anos, geralmente inseridos em um projeto pessoal de casamento, sucesso profissional ou comodismo.

Quando tudo isso é associado às expectativas concentradas sobre uma única pessoa, ou seja,  o(a) “provedor(a)” da casa, essa pressão pode levar inclusive a um desgaste mental profundo (burnout).

Como superar a crise existencial?

Algumas pessoas podem ter dificuldades de lidar com os sentimentos que essa fase desperta e com as questões que a envolvem. Diante dessa dificuldade, pode ser necessário buscar apoio psicológico através de psicoterapia. O trabalho do psicólogo, que é um profissional capacitado para orientar sobre a forma de lidar com os sentimentos e adversidades, ajudará a resolver problemas que parecem não ter solução.

De todo modo, é importante que a pessoa que se vê diante dos dilemas existenciais entenda que nunca será possível ter todas as respostas para todas as dúvidas e que não há problema nisso!

É fundamental entender as razões de todos os sentimentos conflitantes despertados na crise. A partir de disso se dá o primeiro passo rumo à solução de boa parte dos questionamentos e do reencontro com o equilíbrio emocional que ficou abalado em algum momento.

Sou Joana Santiago – Psicóloga

“A sexualidade tem muito mais riqueza e complexidade do que imaginamos, pelo simples fato de ser a capacidade de um ser tão rico e complexo como é o ser humano”.
Julian Fernandez de Quero

SEXUALIDADE

A sexualidade um dos impulsos fundamentais por trás dos sentimentos, pensamentos e comportamentos humanos. Ele define os meios de reprodução biológica, descreve representações psicológicas e sociológicas de si mesmo e orienta a atração de uma pessoa por outra. Além disso, ele molda o cérebro e o corpo para que busquem o prazer. No entanto, por mais importante que seja a sexualidade para o ser humano, ela é freqüentemente vista como tabu, mas é necessário falar sobre esse assunto, porque o desconhecimento sobre ele só ajuda a perpetuar o sofrimento que milhares de pessoas vivem todos os dias.

A sexualidade humana se manifesta de várias formas, para falarmos sobre ela é importante primeiro, sabermos a diferença entre sexo, gênero, identidade de gênero e orientação sexual.

SEXO

É a parte biológica. Se divide em macho, fêmea e intersexo. Ele é definido pelos seus cromossomos e por características como os orgãos reprodutivos internos e externos. Curiosamente, o sexo biológico não é tão facilmente definido ou determinado como você poderia esperar, já que pessoa biologicamente intersexo pode nascer com características de fêmea ou de macho.

GÊNERO

Descreve o psicológico (identidade de gênero ) e o sociológico (papel de gênero) nas representações do sexo biológico. Desde muito cedo, começamos a aprender as normas culturais do que é considerado masculino e feminino. Por exemplo, as crianças podem associar cabelos longos ou vestidos com feminilidade. Mais tarde na vida, como adultos, frequentemente nos conformamos a essas normas nos comportando de maneiras específicas ao gênero: como homens, construímos casas; como mulheres, fazemos biscoitos ( Marshall, 1989 ; Money et al., 1955 ; Weinraub et al., 1984 ).

Como as culturas mudam com o tempo, as idéias sobre identidade de gênero também mudam. Por exemplo, as culturas européia e americana hoje associam rosa com feminilidade e azul com masculinidade. No entanto, há menos de um século, essas mesmas culturas envolviam os meninos de rosa, por causa de suas associações masculinas com “sangue e guerra”, e vestiam as meninas de azul, por causa de suas associações femininas com a Virgem Maria ( Kimmel, 1996 )

IDENTIDADE DE GÊNERO

Tem a ver com qual gênero você se identifica. Um indivíduo biologicamente macho pode se identificar com gênero masculino ou com o feminino e uma pessoa biologicamente fêmea também pode se identificar com qualquer um dos dois.
Transgêneros são pessoas com cuja identidade de gênero ou expressão dessa identidade, difere do seu gênero relacionado com seu sexo biológico. Um exemplo é uma pessoa biologicamente macho, mas que se identifica com o gênero feminino e se veste ou se comporta com o gênero feminino e vice versa.
Quando a identidade e expressão de gênero é coerente com o gênero atribuído a uma pessoa, a chamamos ela de Cisgênero.

Sexo e gênero são aspectos importantes da identidade de uma pessoa. No entanto, eles não nos falam sobre a orientação sexual de uma pessoa. 

ORIENTAÇÃO SEXUAL

Se refere à atração sexual de uma pessoa por outra. No contexto da orientação sexual, atração sexual se refere à capacidade de uma pessoa despertar o interesse sexual de outra ou, inversamente, o interesse sexual que uma pessoa sente por outra.

Ela geralmente se divide em orientação heterossexual, homossexual ou bissexual. Apesar dessas divisões, hoje em dia a orientação sexual é vista mais como continuo, variando de um extremo ao outro. Mas ela não é necessariamente fixa, e pode variar por diferentes razões.

Tanto a orientação sexual e quanto a identidade de gênero, costumam se manifestar desde cedo, independente dos pais ou pessoas próximas serem heterossexuais, homossexuais, transgêneros ou cisgêneros. Todas essas características da sexualidade são determinadas por muitas coisas, como herança genética passada pelos pais, o funcionamento das glândulas e hormônios do corpo, as primeiras experiências de socialização, a cultura vigente e as suas experiências de vida.

A nossa sociedade incentiva algumas orientações e identidades enquanto discrimina outras. Por isso, os pais de uma criança costumam incentivar ou reprimir as manifestações de sexualidade à partir das normais culturais com as quais eles concordam. E isso ocorre muito. Em nossa cultura assim como em muitas outras, homossexuais e pessoas com identidade diferente do seu gênero, são alvo de descriminação e violência. O pior que isso ocorre por motivos que estão além do controle da pessoa.

O sexo, a orientação sexual e a identidade de gênero, não são meras escolhas que fazemos. Uma pessoa pode disfarçar seus sentimentos ou tentar obedecer um certo padrão de sexualidade para ser melhor aceito ou evitar punições, o problema é que isso pode levar anos de sofrimento, frustração e até mesmo suicídio.

Expressar a própria sexualidade é uma parte fundamental no desenvolvimento psicológico saudável de qualquer pessoa. E a educação sexual, nesse sentido, tem muito a dizer. Através do conhecimento, ela abre o processo de conscientização para que cada indivíduo possa ser livre para decidir e escolher um modo de viver e desfrutar da sua própria sexualidade.

Busque ajuda e acolhimento.

Sou Joana Santiago – Psicóloga

Entender o comportamento dos jovens e respeitar o momento que eles vivem é fundamental para uma relação saudável e feliz.

Fase muito temida pela maioria dos pais, a adolescência é um período de muitas descobertas, mudanças no corpo, nos pensamentos e principalmente no comportamento. Os conflitos com os pais aumentam nesse período, e por isso o apelidamos de – aborrecência. Esse neologismo atribui o aspecto negativo desse período. Mas será que só tem aspectos ruins mesmo?

Cheios de energia, convicções e uma avidez de conhecer o mundo e tudo o que nele há, os adolescentes costumam testar toda a base educacional que receberam, exigindo paciência e, principalmente, muita sabedoria.

Por diversas razões, é difícil definir a adolescência em termos precisos. O início da puberdade, que pode ser considerada uma linha de demarcação entre a infância e a tal fase, não resolve a dificuldade de definição. Termos científicos não são práticos e pesquisas não são 100% assertivas, já que cada indivíduo vivencia esse período de modo diferente e único. Então, o que resta? Como entender os adolescentes e essa fase tão singular?

A resposta é simples e direta: ouvindo-os

Através do diálogo é possível obter bons resultados. Quando o pai e a mãe se tornam “amigos” do adolescente e tentam entender o momento em que estes estão vivenciando, a relação começa a se tornar muito mais harmoniosa e o filho começa a perceber que a companhia da família é agradável.

Outra chave para uma boa convivência é aprender com as diferenças e lidar com os temperamentos. Os conflitos entre pais e filhos adolescentes não precisam ser vividos de forma violenta, mas podem ser vistos como uma oportunidade de lidar com percepções diferentes, respeitando e solidificando uma base de interações harmônicas.

A adolescência é uma fase em que os filhos saem do seio familiar para descobrir o mundo e a si mesmos. É comum que haja um afastamento, já que eles se interessam mais por estar com amigos da mesma idade, dividindo interesses e visões de mundo. E isso é completamente normal.

O problema, cada vez mais presente, é quando o adolescente se afasta demais dos pais e passa a ignorá-los. Nessa hora, é necessário voltar ao ponto de partida e entender o que ocasionou tal afastamento e, principalmente, o que tem fomentado essa atitude.

A dificuldade na convivência pode partir das duas partes. Hoje vivemos um tempo em que a paternidade e a maternidade estão em questão. O comportamento dos pais na atualidade também sofreu e sofre uma série de impactos. A superficialidade está tanto nos filhos quanto nos pais. Os motivos de um distanciamento podem ser vários, entre eles o trabalho, os estudos, o consumo, o modelo de relacionamento, o não acompanhamento dos filhos, a terceirização da educação e do cuidado… São vários os fatores que podem resultar em um problema.

Outra causa pode ser o uso excessivo da internet, um drama que atinge mais e mais famílias com o passar do tempo. O contato com a tecnologia é inevitável, e pode ser muito benéfico para todas as partes. Proibir não é o caminho, mas o uso deve ser muito bem observado, principalmente na infância. Uma criança que fica tempo demais na internet pode se transformar em um adolescente fechado, com dificuldade para interagir socialmente. “Não existe uma medida-padrão, mas é importante verificar se as crianças conseguem estabelecer relações e práticas no campo não virtual. Se conseguem brincar, dialogar e interagir. Por vezes, os pais oferecerem acesso ao mundo virtual como uma forma de docilizar as crianças. Não estabelecer limites ou deixá-las entregues à internet apenas para que elas fiquem quietas, é um erro.

Quando o problema já é uma realidade na adolescência e os filhos já estão distantes demais, minha dica é evitar discussões e arbitrariedades. É fundamental não estabelecer uma concorrência ou polarização, como por exemplo: ‘Ou nós, ou o mundo virtual’. É importante investir nas relações, no contato, no querer saber do outro. Não de modo utópico ou pedagógico, mas uma prática cotidiana. Um modo de mostrar aos adolescentes e jovens que a relação com os pais pode ser algo interessante.

Felizmente, esse período de tensão e conflito desconfortáveis entre os jovens e seus pais não dura para sempre. Normalmente, os jovens se aproximaram de seus pais novamente no final da adolescência. Como regra geral, se os jovens e seus pais desfrutaram de um relacionamento próximo, de confiança e amoroso antes da adolescência, essas mesmas qualidades geralmente são restauradas no final da adolescência, quando o conflito diminui.

Acredite.

Sou Joana Santiago – Psicóloga

Um gatilho é algo que dispara uma fita de memória ou flashback transportando você de volta ao evento traumático.

O termo gatilho se popularizou nos últimos anos e ganhou força na web com a tradução literal do inglês TRIGGERS, onde “memes” apresentam personagens expostos a situações emocionais extremas com a reação de raiva, de pânico ou de irritabilidade. Talvez até já tenha se deparado com a frase “apaga, isso me dá gatilho!”, que provavelmente foi utilizada fora de contexto. O meme pode até ser bom, mas fez com que a expressão perdesse sua importância.

Gatilho em psicologia é um estímulo como um cheiro, som ou visão que desencadeia sentimentos de trauma. As pessoas geralmente usam esse termo ao descrever o estresse pós-traumático.

Sentir algum tipo de incômodo por causa de um estímulo e bem diferente de reviver memórias dolorosas, emoções intensas ligadas ao trauma. A pessoa pode sentir como se tivesse vivendo parte desse trauma e essa pode ser uma experiência devastadora.

O QUE É UM GATILHO?

Um gatilho é um lembrete de um trauma passado. Esse lembrete pode fazer com que a pessoa sinta uma grande tristeza, ansiedade ou pânico. Também pode fazer com que alguém tenha flashbacks. Um flashback é uma memória vívida, geralmente negativa, que pode aparecer sem aviso. Pode fazer com que alguém perca o controle do ambiente e “reviva” um evento traumático.

Os gatilhos podem assumir várias formas. Eles podem ser um local físico ou o aniversário do evento traumático. Uma pessoa também pode ser desencadeada por processos internos, como estresse.

Às vezes, os gatilhos são previsíveis. Por exemplo, um policial pode ter flashbacks enquanto assiste a um filme violento. Em outros casos, os gatilhos são menos intuitivos. Uma pessoa que sentiu o cheiro de incenso durante uma agressão sexual pode ter um ataque de pânico ao sentir o cheiro do mesmo incenso em uma loja.

Algumas pessoas usam “gatilho” no contexto de outras questões de saúde mental, como abuso de substâncias ou ansiedade . Nesses casos, um gatilho pode ser uma dica que indica um aumento dos sintomas. Por exemplo, uma pessoa que está se recuperando de anorexia pode ser desencadeada por fotos de celebridades muito magras. Quando a pessoa vê essas fotos, ela pode sentir o desejo de passar fome novamente.

TIPOS DE GATILHOS

Os gatilhos variam amplamente de pessoa para pessoa e podem ser internos ou externos. Abaixo estão alguns exemplos dos diferentes tipos de eventos que podem ser considerados gatilhos em termos de problemas de saúde mental.

Interno:

Vêm de dentro da pessoa. Pode ser uma memória, uma sensação física ou uma emoção. Por exemplo, digamos que você esteja se exercitando e seu coração comece a bater forte. Essa sensação pode lembrá-lo de uma época em que estava fugindo de um parceiro abusivo. Isso seria considerado um gatilho interno. Outros gatilhos internos comuns incluem:

  • Dor
  • Tensão muscular
  • Memórias ligadas a um evento traumático
  • Raiva
  • Tristeza
  • Solidão
  • Ansiedade
  • Sentindo-se oprimido, vulnerável, abandonado ou fora de controle

Externo:

Vêm do ambiente. Eles podem ser uma pessoa, um lugar ou uma situação específica. A quarentena que estamos vivenciando, pode ser um gatilho para transtornos mentais. Abaixo está uma lista de coisas comuns que podem fazer com que uma pessoa se sinta desencadeada:

  • Datas significativas (como feriados ou aniversários)
  • Uma hora específica do dia
  • Indo para um local específico que os lembra da experiência
  • Um filme, programa de televisão ou artigo de notícias que lembra você da experiência
  • Certos sons que lembram você da experiência (um veterano militar pode ser acionado por ruídos altos que soam como tiros)
  • Cheiros associados à experiência, como fumaça
  • Uma pessoa conectada à experiência
  • Mudanças nos relacionamentos ou término de um relacionamento
  • Discutir com um amigo, cônjuge ou parceiro

COMO OS GATILHOS SÃO FORMADOS?

O funcionamento exato do cérebro por trás dos gatilhos não é totalmente compreendido. No entanto, existem várias teorias sobre como os gatilhos funcionam.

Quando uma pessoa está em uma situação ameaçadora, ela pode se envolver em uma resposta de luta ou fuga. O organismo entra em estado de alerta máximo, priorizando todos os seus recursos para reagir à situação. Funções que não são necessárias para a sobrevivência, como a digestão, são colocadas em espera.

Uma das funções negligenciadas durante uma situação de luta ou fuga é a formação da memória de curto prazo. Em alguns casos, o cérebro de uma pessoa pode armazenar mal o evento traumático em seu armazenamento de memória. Em vez de ser armazenada como um evento passado, a situação é rotulada como uma ameaça ainda presente. Quando uma pessoa é lembrada do trauma, seu corpo age como se o evento estivesse acontecendo, retornando ao modo de luta ou fuga.

Outra teoria é que os gatilhos são poderosos porque frequentemente envolvem os sentidos. As informações sensoriais (imagens, sons e, principalmente, cheiros) desempenham um grande papel na memória. Quanto mais informações sensoriais são armazenadas, mais fácil é recuperar a memória.

Durante um evento traumático, o cérebro geralmente insere os estímulos sensoriais na memória. Mesmo quando uma pessoa encontra os mesmos estímulos em outro contexto, ela associa os gatilhos ao trauma. Em alguns casos, um gatilho sensorial pode causar uma reação emocional antes que a pessoa perceba por que está chateada.

A formação de hábitos também desempenha um papel importante no desencadeamento. As pessoas tendem a fazer as mesmas coisas da mesma maneira. Seguir os mesmos padrões evita que o cérebro tenha que tomar decisões.

Por exemplo, digamos que uma pessoa sempre fuma enquanto dirige. Quando uma pessoa entra no carro, seu cérebro espera que ela siga a mesma rotina e acenda um cigarro. Assim, dirigir pode desencadear o desejo de fumar, mesmo que a pessoa deseje parar de fumar. Alguém pode ser acionado mesmo que não faça uma conexão consciente entre seu comportamento e o que o cerca.

OBTENDO AJUDA PARA GATILHOS

Os avisos de gatilho são úteis em alguns casos. Mas evitar os próprios gatilhos não tratará os problemas de saúde mental subjacentes. Se os gatilhos interferirem na vida diária de alguém, é preciso de ajuda profissional!

Na terapia, as pessoas podem processar as emoções relacionadas ao seu passado. Alguns podem aprender técnicas de relaxamento para lidar com ataques de pânico. Outros podem aprender como evitar comportamentos prejudiciais. Com tempo e trabalho, uma pessoa pode enfrentar seus gatilhos com muito menos sofrimento.

Sou Joana Santiago – Psicóloga

“Uma criança que não brinca não é uma criança, mas o homem que não brinca perdeu para sempre a criança que nele vivia”.
Pablo Neruda

Nessa semana que comemoraremos o Dia das Crianças, parei para refletir sobre o que Freud e Jung dizem: o que a gente vive na infância impacta o resto dos nossos dias.

Não importa quantos anos você tem, a criança que você foi um dia ainda vive e influencia a sua vida.
É muito importante olharmos para isso!

O conceito de “criança interior” é um termo usado pela psicologia para definir essa parte íntima, ligada às crenças e aos afetos que foram construídos na infância. Em maior ou menor grau, essa criança que fomos ainda carrega em nós seus anseios e carências. A necessidade de amor, cuja falta vem da infância, é responsável por muitas tendências autodestrutivas e insatisfações nas relações pessoais. Essa criança precisa ser cuidada para o equilíbrio da nossa vida emocional.

A criança interior é o resultado de experiências vividas desde o momento da concepção até o final da infância. Dependendo do que você recebeu dos pais e do ambiente em que se desenvolveu, sua criança interior pode trazer em seu íntimo criatividade, alegria, intuição, sensibilidade, autenticidade, mas também rancor, medos, culpa, solidão, desamor, obsessões, etc.

A criança interior é tão importante que podemos considerar que ela é a mais fiel representação de quem verdadeiramente somos, pois nossos impulsos são amplamente influenciados pela percepção que a criança interior tem da vida.

Como o dano afeta você como adulto

Traumas menores são comuns na infância, então, mesmo na infância mais saudável. Se você experimentou um trauma grave, no entanto, os resultados provavelmente o acompanharão até a idade adulta. Além disso, se ninguém o ajudar a curar quando você ainda é uma criança, é provável que efeitos graves o afetem até que você faça este trabalho. Os efeitos mais comuns de ter uma criança interior magoada podem ser classificados como comportamentos destrutivos. Eles incluem:

  • Autossabotagem
  • Comportamento autodestrutivo
  • Comportamento de autolesão
  • Comportamento passivo/agressivo
  • Comportamento violento

Não é de admirar que esses efeitos sejam comuns. A criança lesada é impulsiva, narcisista, dependente, carente e tem medo de ser abandonada. Eles não aprenderam como regular suas emoções ou agir com lógica e razão. É provável que essa criança encene, e uma criança interior danificada não é diferente. No entanto, curar a criança interior pode eliminar esses sentimentos e comportamentos, mesmo na idade adulta.

Cuidando de sua criança interior

Uma criança não só precisa ser amada, protegida e ter suas necessidades atendidas, mas também precisa ser ensinada a viver com sucesso no mundo. 

  • descobrindo e liberando emoções reprimidas;
  • ajudando você a reconhecer suas necessidades não atendidas
  • ajudando a resolver padrões inúteis
  • oferecendo uma oportunidade para um maior autocuidado
  • ajudando você a ser criativo e brincalhão
  • elevando o seu autorrespeito.

Dessa maneira, você irá se tornar um adulto emocionalmente saudável, ficar mais relaxado, encontrar mais prazer na vida cotidiana e experimentar a vida com a alegria de uma criança sendo um adulto responsável.

Revisitar as lembranças de infância através da psicoterapia, trabalhos em grupo voltados para o contato com a criança interior e a meditação são formas de nos conectarmos a esse profundo aspecto do nosso ser.

Eu encorajo você a começar essa jornada. Cure suas feridas, recupere sua ternura, criatividade e capacidade de amar. Esse processo é feito aos poucos e com paciência.
Sua criança ainda vive e pede um pouco de atenção.

Sou Joana Santiago – Psicóloga

Os pensamentos intrusivos são pensamentos involuntários perturbadores, que parecem ficar presos na mente.

Pensamentos intrusivos são aqueles que causam ansiedade, destroem a autoconfiança e fazem o indivíduo pensar em coisas e fatos ruins, podendo, com isso, tornarem-se obsessivos. Quem tem pensamentos intrusivos costuma sempre esperar que coisas ruins aconteçam, desconfia das pessoas (até mesmo, daquelas que são próximas e queridas) e tende a ser inquieto e impaciente.

Uma das causas mais comuns para o surgimento dos pensamentos intrusivos é a ansiedade. Nesse contexto, eles acabam aumentando os medos e potencializando os demais sintomas do transtorno. 

Por mais que sejam realmente e verdadeiramente assustadores em diversos aspectos, os pensamentos intrusivos são tidos como um mecanismo normal, que passa pela cabeça de todo e qualquer tipo de pessoa, sendo algo que faz parte da forma como a mente humana funciona. 

Entretanto, é na constância e frequência que está o perigo dos pensamentos intrusivos, já que, uma vez instalados, eles têm a tendência de se retroalimentar, gerando, assim, um grande círculo de pensamentos negativos, catastróficos, preocupações excessivas e, na maioria dos casos, irreais, sendo que é exatamente nestes pontos que mora a enorme dificuldade de superá-los quando surgem. 

Quando isso acontece, os pensamentos intrusivos podem aumentar os sintomas da ansiedade, prejudicar a vida social do indivíduo e levar ao desenvolvimento de transtornos emocionais ainda mais intensos, como transtorno bipolar, depressão, estresse pós-traumático, entre outros. 

Como lidar?

O primeiro passo para lidar com os pensamentos intrusivos é descobrir a sua causa. Isso porque, na maioria das vezes, eles são apenas sintomas de outros transtornos mentais, dos quais o indivíduo pode ainda não ter consciência. Entre os principais transtornos que causam pensamentos intrusivos estão o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), a Fobia Social, a Síndrome do Pânico e o Transtorno de Estresse Pós Traumático (TEPT). Ao descobrir a causa e tratá-la, os pensamentos tendem a desaparecer gradativamente.

Existem diversas estratégias de enfrentamento que podem ajudar quem sofre com pensamentos intrusivos a lidar melhor com eles e a diminuir o impacto em suas vidas. A principal delas é justamente não tentar tirar os intrusos da mente. Ao invés disso, o recomendado é aceitá-los e procurar perceber que eles são apenas o que são: pensamentos. Ou seja, não é porque você pensou em jogar alguém pela janela que você de fato jogou ou vai jogar. Além de aceitar os pensamentos intrusivos, você também pode enfrentá-los. Ao se imaginar empurrando alguém da plataforma do trem, por exemplo, questione-se: isso realmente vai acontecer? Eu seria capaz de fazer tal coisa? Agindo assim, você vai começar a perceber que estes pensamentos não refletem a realidade e passará a se preocupar menos com eles. Por fim, você também pode enfrentar o problema mudando seu estilo de vida ou usando a meditação. Essa prática envolve a observação da mente e dos pensamentos e vai te ajudar a entender melhor como a sua cabeça funciona e como lidar com ela da melhor maneira possível.

Saiba que você não está sozinho e que é possível lutar contra o problema e conseguir vencê-lo. 

Sou Joana Santiago – Psicóloga

Nosso cérebro não está voando sozinho; nossas emoções também entram em ação quando estamos interagindo com o mundo.

Falei anteriormente sobre como o corpo reage às nossas emoções e como desenvolver autoconhecimento e inteligência emocional ajudam a lidar com situações do dia a dia.
Hoje vou falar sobre a parte fisiológica da emoção, como ela se estabelece no cérebro e desencadeia em nosso corpo.

Podemos perceber as emoções no corpo começando pela face, que tende a empalidecer de medo ou avermelhar de vergonha. Além disso, na mudança da face pode ser observada a expressão facial ao refletir diferentes emoções como raiva, tristeza, repugnância, surpresa. Nos olhos, a pupila se dilata para captar o máximo de estímulos para enfrentar o perigo iminente. A boca fica seca. A respiração acelera para levar oxigênio aos músculos das extremidades do corpo. O coração dispara a fim de transportar o oxigênio o mais rapidamente possível. Essas ocorrências são mais facilmente sentidas por nós, porque são perceptíveis. 

Mas também, existem ocorrências operando no corpo sem que o indivíduo esteja percebendo. Onde e como a emoção começa é o problema. Há muitas perguntas e poucas respostas. As conclusões a respeito da operação das emoções sobre o cérebro mudaram muito no último século e são bastantes complexas. É exatamente por essa razão que os sentimentos ou emoções são automáticos.

A mente influencia diretamente no nosso sistema imunológico, na produção das enzimas, anticorpos, hormônios e neurotransmissores. Toda essa química determina nosso bem-estar. Pressões psicológicas podem agir em algo muito simples como um resfriado ou influenciar as doenças crônicas.

A Neurociência

Quimicamente falando, os neurotransmissores são substâncias capazes de conduzir e transmitir informações entre os neurônios, atuando no cérebro como mensageiros que estimulam impulsos e reações no indivíduo.

Na prática, os neurotransmissores podem ser considerados como os nossos mensageiros químicos relacionados ao humor, sono, atração, atenção, sensações de prazer, entre outros. Com função vital do nosso corpo e para a nossa dinâmica de SER humano, ou seja, sentir e reagir aos impulsos, devemos considerá-los como uma das maiores descobertas no campo de como funciona o nosso corpo.

Hormônios e neurotransmissores

Com função semelhante, os dois tipos de mensageiros químicos se diferenciam pelo órgão onde ocorre sua liberação e pela distribuição de seus efeitos.

Os hormônios são geralmente liberados por glândulas e lançados na circulação sanguínea, podendo se ligar a receptores de células de qualquer parte do corpo. Isso significa que seu efeito é mais difuso. Alguns exemplos são a adrenalina, a insulina e a grelina. 

Já os neurotransmissores são liberados por neurônios na fenda sináptica e se ligam a receptores de uma outra célula muito próxima. Sua distribuição é mais localizada. Aqui temos a dopamina, serotonina, glutamato, entre outros.

Neurotransmissores que controlam nossas emoções

• OCITOCINA: Neurotransmissor do amor

Hormônio transmitido no leite no momento da amamentação, devido à sucção do bebê, e na contração do útero no momento do parto, também é conhecido como hormônio do amor em função do seu papel social e emocional: melhora o humor, diminui a ansiedade, auxilia na percepção das expressões emocionais e da sensibilidade, diminui a sensação de estresse, melhora a o prazer e o interesse no momento do contato íntimo, deixa as pessoas mais generosas e amáveis, sendo liberado no momento de um abraço ou na prática de boas ações.

• SEROTONINA: Neurotransmissor do bem-estar

Neurotransmissor responsável em nosso cérebro por regular o sono, humor, temperatura do corpo, ritmo cardíaco, apetite, entre outros. Se encontrado em pequena quantidade no organismo pode ocasionar em mal humor, sonolência diurna, distúrbios de memória e concentração, irritabilidade, inibição do desejo sexual e compulsão por comidas e doces, principalmente. Uma forma de aumentar a serotonina, além da prática de esportes, é consumindo alimentos ricos em triptofano: castanhas do Pará, vinho tinto, chocolate preto, banana, abacaxi, carnes magras, leites e derivados, cereais integrais e tomate.

• DOPAMINA: Neurotransmissor do prazer e do vício

A vilã do consumo desenfreado é liberada após cada nova compra e dura até 10 minutos em nosso organismo estimulando nosso circuito de recompensa de prazer do cérebro. Gera a mesma sensação em viciados por jogos de azar, prática de esportes físicos ou usuários de cocaína. Produzida no hipotálamo, é extremamente benéfica se liberada sem excessos, pois é o neurotransmissor fundamental para a motivação, foco e produtividade. Pode ser gratuitamente liberada em ações como gratidão, cumprimento de metas ou de listas de afazeres diários e alimentos ricos em tirosina: cacau, feijão, amêndoas, sementes de abóbora, ameixas, mirtilo, chá verde, melancia, maçãs, beterrabas, etc. Distúrbios em sua produção podem ocasionar Mal de Parkinson, esquizofrenia e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

• ENDORFINA:

É um neuro-hormônio que tem uma potente ação analgésica estimulando a sensação de bem-estar, conforto, alegria e melhora do estado de humor. Liberada durante e depois da prática do exercício físico.

• ADRENALINA: Neurotransmissor das emoções intensas

Hormônio liberado no sangue quando nosso cérebro percebe que estamos numa situação de perigo ou tensão que demande determinado esforço físico. Normalmente são reflexos desse hormônio a sudorese, dilatação das pupilas e brônquios, aumento dos batimentos cardíacos e vasoconstrição. Este último acontece para que o sangue chegue mais rápido aos órgãos principais (coração e cérebro) e dessa forma, melhora nossa atenção e auxilia no aprimoramento de habilidades físicas e cognitivas. No entanto, se produzido em excesso, esse hormônio pode gerar estresse, transtornos de ansiedade, diabetes e hipertensão.

• MELATONINA:

Hormônio ligado ao ciclo circadiano, produzido pelo corpo para a indução ao sono e do metabolismo ao longo do dia. Responsável pela fixação das memórias de curta duração no hipocampo, para que virem memórias de longa duração, durante o sono. Acredita-se que ela tenha contribuição nas funções de regeneração celular e auxilie o corpo a combater inflamações no organismo.

• CORTISOL:

Não tem “INA” no nome mas não poderia finalizar sem falar dele, afinal, é o excesso dele no organismo que gera o estresses, lapsos de memória, aumento de peso, diminuição da libido, perda de massa muscular e doenças ocasionadas pelo excesso de estresse. Produzido na quantidade adequada, ajuda o organismo a controlar o estresse, reduzir inflamações, contribuindo para o correto funcionamento do sistema imune. Também é responsável por manter os níveis de açúcar no sangue e pressão arterial constantes.

Para finalizar, a maneira como sua vida está hoje é resultado direto das suas ações e pensamentos, não é necessário uma mudança radical na sua forma de ser, apenas o comprometimento consigo mesmo de lidar com o momento presente de uma forma mais tranquila, desenvolvendo o amor próprio e sua paciência.

Sou Joana Santiago – Psicóloga

Apesar de não entendermos bem as emoções e, por vezes, parecerem misteriosas, elas exercem grande efeito sobre a vida.

As emoções fazem parte do nosso dia a dia e de quem somos. Convivemos com elas o tempo todo e são desencadeadas tão rapidamente em nosso cérebro que acabamos não entendendo o que acontece e por que reagimos de determinada maneira.

Uma reação rápida e impulsiva diante de uma emoção pode tanto salvar, quanto arruinar uma situação. Daí a importância do autoconhecimento, de saber como agir identificando suas emoções.

Mas antes de entendermos um pouco mais sobre o assunto, é importante ter clareza de que sentimentos e emoções são coisas diferentes. É muito comum as pessoas considerarem sinônimos, mas na realidade não são.

Basicamente, a emoção é um conjunto de respostas químicas e neurais que surgem quando o cérebro sofre um estímulo ambiental. Já o sentimento é uma resposta à emoção, ou seja, se trata de como a pessoa se sente diante de tal emoção. Portanto, apesar de distintos, emoção e sentimento estão intimamente conectados.

Para ficar um pouco mais claro, entenda que quando você é exposto a algum tipo de situação, o cérebro libera hormônios que alteram o seu estado emocional. Podem até ocorrer algumas reações físicas, como choro ou suor, por exemplo, ou o medo pode parecer um nó no estômago ou um aperto na garganta; o embaraço pode fazer com que você sinta o rosto quente. Vale ressaltar que diante de algum acontecimento, cada pessoa tem uma emoção diferente e ela costuma ser mais passageira.

Por outro lado, o sentimento pode durar muito tempo. Os sentimentos negativos persistentes podem ocasionar doenças como depressão. Alguns exemplos de sentimentos são o ódio, a compaixão, o amor, a decepção e a inveja.

Identificando suas emoções

Podemos apontar sete emoções básicas: felicidade, tristeza, ansiedade, raiva, medo, nojo e desprezo. Para identificar suas emoções, você precisa conhecer aquilo que está sentindo.
Veja o texto no blog, que falo das sete emoções básicas e seu efeito no comportamento humano.

Para isso, o primeiro passo é se perguntar, com sinceridade, o que está realmente se passando contigo.

  • Ansiedade – Caracterizada por sentimentos de medo em relação ao futuro, o que traz, inclusive, reações físicas como batimentos cardíacos acelerados e contração da face.
  • TristezaCansaço, sensação de peso nos ombros, vontade de chorar e dificuldade de concentração são sentimentos que denotam a tristeza.
  • Raiva – Pensamentos de que foi atacado de alguma maneira, também com reações físicas como aceleração do coração e aumento da pressão, relacionam-se à emoção de raiva.
  • Felicidade – Calma, alegria, euforia e confiança são sentimentos ligados à felicidade.

Quando soubermos a resposta para nossos sentimentos, poderemos identificar e separar as emoções para enfrentar as situações que surgem diariamente.

Gerenciando Emoção

Compreender suas emoções torna possível gerenciá-las de modo que trabalhem a seu favor e não contra você. Por exemplo, se a sua tristeza (ou raiva, ou ansiedade, etc.) normalmente o influenciaria a agir de uma forma que poderia prejudicar a si mesmo ou a outra pessoa, tornar-se consciente dessa emoção pode permitir que você tome medidas para não agir de forma destrutiva.

Gerenciando ativamente suas emoções, você está dando passos para se tornar uma pessoa com maior inteligência emocional. Isso porque ao desenvolvê-la, você aprenderá a reconhecer as suas emoções e ser capaz de lidar com elas; entenderá como se manter motivado diante de frustrações; desenvolverá a empatia e habilidades interpessoais.

Às vezes, não conseguimos nos conhecer ao ponto de controlarmos as emoções. Quando essas emoções passam a “ter o controle sobre nós” é o momento de procurar a ajuda de um psicólogo.

Na próxima semana, vou explicar e exemplificar melhor como o cérebro influencia em nossas sensações físicas.

Sou Joana Santiago – Psicóloga

Devemos levar a iniciativa do Setembro Amarelo para todos os dias da nossa vida e as atitudes nas redes-sociais para a vida real.

A saúde mental, que já era um dos principais temas debatidos na sociedade moderna, se tornou um tópico ainda mais destacado em meio à pandemia do novo coronavírus e ganha mais força neste mês de prevenção ao suicídio.

Problemas decorrentes da Covid-19, como mortes causadas pela doença, afastamento social, desemprego e incertezas, potencializam sensações de medo, pânico, tristeza, insegurança, ansiedade e depressão.

Quem luta contra os vários fatores que podem levar ao suicídio precisa, antes de tudo, riscar do dicionário verbos como “julgar”, “moralizar” e “reprimir”. A compreensão, o diálogo e a capacidade de ouvir, principalmente ao jovem e ao idoso, podem representar um divisor de águas, não só na relação entre quem tenta ajudar e quem precisa de ajuda, mas também no autoconhecimento daquele que vivencia transtornos, como ansiedade, depressão, síndrome do pânico, entre outros.

É possível prevenir

Suicídio é o ato de tirar a própria vida intencionalmente. Também fazem parte deste comportamento os pensamentos suicidas, planos e tentativas de morte, assim como os transtornos relacionados ao problema.

O suicídio pode ser evitado em mais de 90% dos casos. O Setembro Amarelo é uma campanha criada com o intuito de informar as pessoas sobre o suicídio, uma prática normalmente motivada pela depressão e que deve ter destaque nas mídias durante o ano todo. 

É preciso falar sempre!

É comum que os pais evitem falar sobre suicídio com os filhos, na tentativa de minimizar a importância percebida pelo adolescente de um determinado problema que observam, ou mesmo pelo fato de os filhos não darem abertura suficiente para que o assunto seja discutido.

E não são só as crianças e adolescentes que não conversam sobre o assunto: pessoas de qualquer idade podem ter um bloqueio de falar sobre algo tão importante, como se abordar o assunto fosse deixá-lo em evidência na cabeça de quem está depressivo.

Porém, a conversa pode abrir novas perspectivas e até alertar a outra pessoa para tomar medidas mais drásticas para solucionar a situação.

Por isso é tão fundamental que a sociedade como um todo, mantenha as relações e conexões, ainda que virtuais. Perceber nas conversas com outras pessoas, se alguém ao seu redor pode estar sofrendo e/ou em risco para tentativas de suicídio. Esteja atenta aos menores sinais, disposta e preparada para discutir o tema e encaminhar a pessoa para um tratamento que trará um novo olhar sobre a vida e a vontade de prosseguir.

Somente compreendendo a magnitude da campanha, conseguiremos, de fato, mudar vidas todos os dias.

Sou Joana Santiago – Psicóloga

Pesquisa mostra que ansiedade e pensamentos suicidas são comuns durante a pandemia.

Uma pesquisa realizada e publicada pelo Pine Rest Christian Mental Health Services, um hospital psiquiátrico e de saúde comportamental, localizado em Michigan, nos Estados Unidos, revelou que o número de suicídios aumentou em 32% durante a quarentena pela pandemia de coronavírus.

Segundo Organização Mundial da Saúde, cerca de 800 mil pessoas anualmente em todo o mundo cometem suicídio. Porém, durante o ano de 2020, provavelmente esse número será maior nas estatísticas. Esse provável aumento é explicado pela insegurança e sentimento de vulnerabilidade vividos durante a pandemia, somados a instabilidade econômica, que aumentou o número de casos de depressão no mundo.

No Brasil, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a partir de um estudo com 1.460 pessoas em 23 estados do país, apontou um crescimento de 90,5% de casos de depressão, além de um crescimento em casos de ansiedade, de 8,7% para 14,9% e estresse de 6,9% para 9,7%.

Vários fatores podem predispor à depressão e, em última instância, ao suicídio. A começar pelo medo disseminado, tanto nas mídias quanto nas conversas casuais do dia-a-dia. É normal do ser humano sentir medo, principalmente diante de uma situação jamais vivida antes. Soma-se a isso o fato de não existir um tratamento preconizado ou uma vacina, sendo a única forma de prevenção o isolamento social. Além disso, podem surgir estigmas sociais, de vizinhos, amigos ou até mesmo familiares. Por isso, é esperado que ocorram maiores taxas de suicídio durante esse período em que vivemos agora.

Procure ajuda

É preciso buscar ajuda psicológica logo no início de algum transtorno, ao invés de esperar chegar a uma situação crítica. Porém, normalmente o paciente por estar fragilizado, muitas vezes não se dá conta da gravidade do que está sentindo e isso pode requerer a atenção e ajuda dos familiares que estão ao redor.

Estamos apenas começando a ver esses danos psicológicos se desenvolverem na pandemia, mas a necessidade de cuidados de saúde mental provavelmente se estenderá por muito tempo no futuro.  Isso reflete a importância de conversarmos sobre o tema não somente no mês de setembro, mas em todos os momentos do ano. 

Sou Joana Santiago – Psicóloga